Óscar Teixeira A indústria dos cruzeiros não brinca com o tempo. Um cruzeiro planeia-se com mais de um ano de antecedência, e não será presisamente para aquele dia em que o turista poderá "gozar" o desporto radical de um mar bravio de sul com a vista "estonteante" do anfiteatro do Funchal numa neblina de fundo. Dizem-nos os únicos inteligentes que serão apenas 40 a 60 dias por ano (acham pouco?), mas esquecem aqueles anos teimosos ou aqueles fins de ano com o ai jesus na boca. Um dia de tormenta abafa um bom ano de calmaria. E aqueles dias semicalmos em que o casco do navio bate que bate no cais numa terapia de pica-miolos? E quando em maré cheia as ondas em furor galgarem a lisa e baixa muralha externa de acostagem e forem acordar os mega ou giga-iates? Até nem haverá grande problema. Ficaremos com mais alguns Vagrants, plantados após sucessivos aterros extraídos do constante e oneroso dessasoreamento das ribeiras e do desenhado porto e que limparão a memória de mais uma triste marina. E aquela ideia brilhante de juntar as duas fozes da Ribeira de Santa Luzia e João Gomes para depois afunilá-las por mais 100 metros por mar dentro? É a chamada tolerância zero. Com a maré cheia e uns metros de altura de inertes a tolerância ao escoamento é mesmo zero. Quase só vejo areia naquele aterro. Uma pequena fortuna. Quem melhor paga para o extrair em batelão para outras obras rentáveis e previsíveis de consolidação da costa, por exemplo o Toco ou a Praia Formosa. Alguém apresentou estudos ou desenhos alternativos?