Há muito que o Marketing saiu do universo das empresas sendo difundido por diversos campos sociais, nomeadamente o cultural, o político e o desportivo. Identificar, antecipar e satisfazer as necessidades dos consumidores é um dos objectivos de todos profissionais do Marketing, seja qual for a sua área de intervenção. Contudo, muitas das estratégias utilizadas são discutidas e corporizam grandes debates. De acordo com estudos efectuados por diversas universidades espanholas, incluindo a de Barcelona, a cerveja pode ser uma bebida eficaz por ajudar a reduzir a fadiga, cansaço ou falta de ar produzidos pelo esforço físico. Este estudo só vem comprovar, 60 anos depois, o que a publicidade da cerveja 'Stout' afirmava: "Aos que praticam desporto, a cerveja é imprescindível por ser reparadora das suas energias". Usufruir da visibilidade e do interesse que o futebol desperta na sociedade não é, ao contrário do que se possa pensar, uma estratégia empresarial recente. Nos primeiros anos da década de 50 do séc. XX, a coluna 'Mundo dos Desportos' do 'Diário de Notícias', terminava com alusão à 'Empreza de Cervejas da Madeira, Lda.' no que seria, hoje, o equivalente ao patrocínio oficial da rubrica. "A cerveja é uma bebida tão higiénica e saudável como deve ser a vida do verdadeiro desportista" ou "Nos países onde a cerveja predomina como bebida de preferência, esses povos são vigorosos e fortes" são apenas dois, dos inúmeros exemplos que encontrei. Considero positivo que os clubes desportivos encontrem parceiros no sector privado ao invés de constituírem mais um peso nas contas públicas. Contudo, e sendo Portugal um país onde se gastam elevadas verbas em acções de sensibilização e combate ao consumo de álcool será esta uma boa estratégia? Será aceitável que, no jogo entre o Nacional e o Sporting do próximo Domingo existam, em campo, 3 marcas diferentes de cerveja?
Andreia M. Nascimento, Directora de Comunicação