Parece que violaram os cacifos dos ortopedistas no Hospital, naquela que foi uma mudança não programada, mas efectuada sem conhecimento dos seus "inquilinos". Se fosse homem de apostas, diria que foram apenas aos cacifos dos grevistas, quiçá à procura de documentos subversivos e matéria comunista. Os cacifos, tal como as algemas chinesas, aparentam segurança máxima, mas ao esticar de dedos e contracção das palmas, ei-los que se abrem e deixam escapar o seu conteúdo. Não estou a ver ninguém a não ser o pessoal das mudanças a ser o culpado da violação da coisa privada, até mesmo tendo procedido contrariamente a ordens de "cima", que seriam bem claras no cuidado a ter. As algemas chinesas são como a nossa sociedade. Se o agrilhoado quiser, livra-se delas. Bastando para isso, QUERER. Não é à toa que o que corre hoje em matéria de cordões e petições tem uma adesão significativa. Foram mais de mil no aterro, são já muitos na Pontinha para os madeirenses. O povo não consegue perceber porque é que um governo que foi eleito por menos de metade dos eleitores tem um nível de arrogância que roça os 98%. Espanta-se quando entregam projectos na frente de mar a empresas que fizeram o que fizeram no Lugar de Baixo, que é também frente de mar. Mais uma vez, se fosse homem de apostas, jogaria tudo no caderno de obras para o AFA ou um qualquer vizinho, mas o meu pai dizia que teimasse, teimasse muito, mas nunca apostasse. Quanto à Pontinha, gastar 12 milhões e não deixar que o indígena passe do Ilhéu, foi uma asneira. Seria muito mais barato ir ao MaxMat e adquirir uns bons metros daquele arame farpado e por um milhão teríamos o Porto vedado. E ainda ficavam 11 para mais três anos de Jornal. E não teriam lojas com 10m2 (enormes) a leilão online, onde o interessado não tem garantida a confidencialidade e onde o interesseiro pode fornecer a informação privilegiada a um qualquer Manuel, Silva ou Sousa. Depois não custa meter mais um euro na proposta… O que interessa é que o Marítimo em casa tenha uma vitoriazinha por trimestre para não mandar adeptos para o hospital porque já não há…hospital novo! Depois de o Nacional ter feito o estádio, de o Marítimo estar a fazer o seu, de o União ter deitado "meia dúzia" de primeiras pedras num complexo onde ainda não joga, de termos visto crescer campos de futebol por esta Ilha, depois de tudo isto faltava um anexo ao nosso Hospital. Não fizeram anexos aos campos de futebol nem às Igrejas. Não se coibiram de desperdiçar 35 milhões na Marina onde ninguém atraca, contra os gritos vão meter mais 40 numa zona que se for protegida como deve ser vai ser difícil ao transeunte da Avenida do Mar conseguir ver a chaminé dos "cruzeiros". Deve ser a tal parte do plano para vedar toda a Pontinha, já que conseguiram, com um belo auto silo, tapar a vista aos que saem das Vespas pelo raiar do dia…
Paulo Gomes