1 - Não, não é esse. Não tem apelido Cunhal, é bem mais novo, terá cerca de dois anos, ainda não vota mas, a partir do último domingo, passou a ser um 'comuna'. Um perigoso subversivo. Cometeu o crime de participar, no seu carrinho de bebé e de mãos dadas à mãe e aos irmãos adolescentes, no cordão que procurou sufocar o aterro que ocupa a Baía do Funchal.

Álvaro sorria, gritava quando todos o faziam e também bateu palmas. Ainda não terá consciência social, muito menos política, mas pode ter uma certeza: goste, ou não, será ele um dos que pagarão pelos erros de hoje. Vai pagar porque os seus impostos, mesmo antes de entrar no mercado de trabalho, já estão prometidos à banca que financiou boas e más obras. Vai pagar porque, se nada for feito, vai viver numa cidade que corre o risco, sério, de ser menos agradável e acolhedora do que hoje é. Mas poderá dizer, sempre, que esteve lá, no dia em que muita gente rompeu o tabu do protesto.

2 - "Energúmeno", "parvalhão", "analfabeto", "ignorante", "idiota". Imagine - imagine, apenas, não vá o diabo tecê-las... - chamar tudo isto ao presidente do Governo Regional. Já imaginou o que iria acontecer? Direitinho para tribunal, acusado de difamação e de todos os crimes que constam na lista dos advogados que trabalham 'pro bono' a acusar quem se atreve a pisar o risco.

Agora, sem ser preciso imaginação: aquelas palavras foram proferidas pelo presidente do Governo e dirigidas a todos os que, de forma clara ou mais tímida, ousam colocar em causa as suas decisões.

A diferença, é que neste caso está protegido pelo escudo heróico da imunidade. Os alvos - talvez o Álvaro do ponto anterior - não podem fazer nada, nem sequer responder na mesma moeda.