O Voleibol português masculino tem tido conquistas muito positivas nesta última década. Em especial, através da selecção nacional, que tem conseguido alguns triunfos e presenças em provas cotadas internacionalmente. Sem ser brilhante, o desempenho desta selecção tem sido muito meritório e glorioso. Destaque desde logo para um oitavo lugar no Mundial de 2002 na Argentina, uma vitória na Liga Europeia em 2010, e um segundo lugar na mesma prova em 2009. No dia que este meu artigo sair no DIÁRIO, já terá principiado a segunda fase do Campeonato Nacional da divisão A1 masculina. Uma etapa onde tudo ficará definido. O campeão, o vice-campeão, os clubes que estarão nas competições europeias na próxima época e a que disputará a II divisão (A2). Uma das razões pelas quais decidi-me por este tema, prende-se com a forma bizarra e, no meu entender, injusta, como a divisão A1 está a ser disputada nesta época, em que a Federação introduziu algumas novidades. Na primeira fase, doze equipas lutam pelo escalonamento no grupo dos primeiros - seis formações - e grupo dos últimos - as restantes colectividades. Para a segunda fase, o que foi feito até então, nada conta! Ou seja, iniciam todos com zero pontos. Nem metade, nem 25% dos pontos conquistados…mas sim, zero pontos! A meu ver, qualquer prova pauta-se pela regularidade. O que não acontece aqui. Em quase todas as modalidades não existe tamanha iniquidade.
Só para dar um exemplo desta injustiça, deixo aqui um de certamente muitos exemplos. Pode perfeitamente um clube simplesmente poupar-se para a 2ª fase e aí, ou ser campeão ou escapar a uma descida de divisão! Basta gerir a prova com a "prata da casa". Chegando a meados de Janeiro, recrutar dois a três atletas de "qualidade" (contratos de 2 a 3 meses) e está feita a época! Aos clubes que foram sérios, investiram desde início do ano desportivo na modalidade, laboraram vários meses com seriedade, nesta fase podem ver tudo o que tinham planeado por "ir por água abaixo"…
A meu ver, o caminho não é este!
NOTA: Fez ontem um ano, estive juntamente com várias pessoas, incluindo o Presidente do Marítimo, a retirar a imensa água, e não só, que como em tantos outros sítios, invadiu aquele espaço. Se não tivesse sido feita essa intervenção de imediato, o piso do pavilhão teria ficado para a história… A todos os voluntários nesses dias um bem haja!
Bernardo Vasconcelos - Dirigente desportivo