A 27 de Novembro de 2009, o Conselho de Ministros da U.E., declarou oficialmente 2011, Ano Europeu das Actividades Voluntárias que Promovam uma Cidadania Activa.

A realidade do voluntariado na Europa é bastante diversa. Os países nórdicos apresentam uma elevada taxa de participação sendo que na Suécia mais de 50% da sua população se dedica a actividades voluntárias e os restantes países apresentam taxas entre os 30% e os 40%. No extremo oposto, apresentando baixas taxas de participação em actividades voluntárias, aparecem os países ex-socialistas onde na Federação Russa menos de 10% da população se dedica a actividades de voluntariado e a generalidade dos restantes países com taxas de participação que ficam abaixo dos 15%. Em Portugal deve rondar os 14%, o que nos coloca abaixo dos países mediterrâneos - Espanha tem 16%, França 22,5% e Itália 25,1% (dados da 4ª vaga do Inquérito Europeu aos Valores).

Quando inquiridos cerca de 80% dos europeus consideram que ajudar os outros constitui uma parte importante da sua vida. No entanto, os dados evidenciam que em média apenas 30% se envolvem em actividades voluntárias. 75% dos jovens europeus consideram que deveria haver mais oportunidades para se dedicarem ao voluntariado, uma percentagem muito superior aos 16% que o praticam. Dados estes números, verificamos existir um grande potencial de crescimento.

O voluntariado é parte integrante da Cultura e dos Valores Europeus e tem contribuído para o desenvolvimento e nível de bem-estar atingido. Para além dos benefícios para os outros e para a sociedade como um todo, a actividade voluntária traz benefícios para quem a pratica: por exemplo, ensina a confiar no outro, a enquadrar-se numa organização com vista a atingir um fim, faz com que não se percam competências quando não se tem oportunidade de as utilizar no seu trabalho, aumenta a auto-estima, a rede de contactos … mas o mais importante é que aumenta a Felicidade não só de quem recebe mas também de quem o pratica.

A dúvida que se coloca é saber se é o voluntariado que traz felicidade ou se são as pessoas mais felizes que o praticam, ou seja, será que há uma causalidade entre o voluntariado e a felicidade?

Um acontecimento histórico como o da reunificação da Alemanha permitiu encontrar algumas respostas para a questão. Nessa altura alguns voluntários da parte oriental perderam a oportunidade de o ser, visto as organizações onde exerciam a sua actividade voluntária terem desaparecido - num ano houve o decréscimo de 8% na taxa de participação em actividades de voluntariado. Aproveitando este facto, foram elaborados estudos económicos que mostram que os que deixaram de ser voluntários se tornaram menos felizes (nesses estudos foram controladas todas as outras variáveis que influenciam o nível de felicidade, como por exemplo, o nível de rendimento, o desemprego e o estado civil). Fica assim esclarecida a dúvida mostrando-se que, pelo menos neste caso, o voluntariado conduz a aumentos da felicidade.

Por isso é tão importante este Ano Europeu que tem por objectivo incentivar e apoiar os esforços desenvolvidos tendo em vista criar condições mais propícias ao voluntariado e aumentar a visibilidade destas actividades.

Ao aumentarmos o número de voluntários contribuímos para o aumento da Felicidade dos europeus e como, para os economistas, a riqueza não é mais do que uma medida da felicidade estamos a cooperar para o enriquecimento da Europa.

Pedro Telhado Pereira - Professor Catedrático UMa