Um bebé de apenas 11 meses foi espancado até à morte pelo próprio pai, em Curitiba, Brasil, na noite de quinta-feira passada. O progenitor confessou o crime. Disse à polícia que perdeu o controlo e agrediu violentamente o filho porque este, imaginem, "não parava de chorar". O gesto cruel e merecedor de condenação não é comparável às agressões diárias aplicadas aos madeirenses, às sovas verbais que lhes provocam dor e, inevitavelmente, gritos, muitos dos quais de desespero e revolta. Contudo, há semelhanças no sofrimento, e a maior é que, apesar dos direitos de cada um estarem devidamente consagrados, impera quase sempre a lei do mais forte, por muito absurda, indigna e incompreensível que seja. Os filhos desta parcela da nação valente, sobretudo aqueles que são obrigados a gritar para se fazerem ouvir, correm riscos. O maior é perder a vida como todos quantos recordámos hoje. Pena é que os seus gritos tenham sido abafados pela terra e que da lama não tenha brotado a alma necessária para as reconstruções que não são vistosas ou inauguráveis e para o abraço às grandes causas. Mas há outros azares também severos, desconsiderações gratuitas e fundamentalistas que não poupam especialistas, políticos e jornalistas, todos eles reduzidos ao mísero calão presidencial ou a "energúmenos", "parvalhões", "analfabetos" e "ignorantes". E há ainda o corolário das contradições oficiais, as opções para o litoral ou para a saúde, decididas sem o apregoado debate público plural que o poder finge incentivar, mas que tenta calar mal a verdade partilhada gera incómodos. Afinal, quem são os "exibicionistas" que gerem a vida pública regional aos berros? Os que alegadamente gritam com razão, porque lhes dói a alma e recusam ser cúmplices do desvario governativo ou aqueles que agora revelam resoluções que antes escondiam para discreta publicação no jornal oficial? Aqueles que procuram enquadrar o "desenho", medir-lhe os impactos e as consequências ou aqueles que publicam às onze da noite na 'net' uma espécie de projecto na tentativa de esvaziar a manchete do dia seguinte? Aqueles que ouvem e respeitam o grito do povo ou os que mediatizam manobras de diversão com carácter de urgência com intuito de determinar a agenda e enfraquecer discussões? Tolentino Mendonça, Padre e Escritor Mais um livro de cunho reflexivo e uma sublime oportunidade para quem o ler de dar um passo na descoberta do essencial, ou seja, de 'O Tesouro Escondido'. Elementar neste tempo de interrogações e de procura de um sentido. Alberto João Jardim, Presidente do Governo Um líder que se preze não desconsidera quem ousa pensar diferente. Logo, se continuar a "tratar as pessoas como guardanapos", corre riscos. Deve saber que, por mais ensaiado que esteja, o povo pode dar um grito desalinhado. Carlos Pereira, Presidente do Marítimo Agrediu um jornalista a 9.11 e ainda não pediu desculpa. A 11.2 viu um adepto seguir-lhe o mau exemplo, e ainda não se demarcou. Esta semana recusou passar credenciais para o jogo de hoje ao DIÁRIO e à TSF. Maritimista sofre! Até quando? Santos Costa, Secretário Regional O governante odeia o DIÁRIO e as verdades publicadas. Por isso, manda publicar notas em que nos acusa de recorrer "à habitual estratégia da insinuação rasteira" e tentativa de "envenenamento da opinião pública". E se governasse? Domingos Rodrigues, Geólogo e Professor Partilhou várias preocupações que as instituições devem ter presentes na elaboração de planos de prevenção de catástrofes, se é que querem ser merecedoras de confiança. Pior do que os temporais é não haver formação para lidar com a desgraça.
Ricardo Miguel Oliveira, Director