Faz precisamente hoje um ano que a Madeira foi assolada por uma forte tempestade, que num curto espaço de tempo provocou consequências devastadoras por toda a nossa ilha. Um dia que infelizmente será recordado com muita dor e sofrimento, mas também com respeito e admiração por aqueles que lutaram pela sua sobrevivência. Um ano depois não tenho dúvidas em afirmar que o dia 20 de Fevereiro marcou-nos profundamente, obrigando-nos a todos a reflectir e a avaliar os seus efeitos. Assistimos de uma forma espontânea e inigualável, a uma onda de solidariedade, que ainda hoje nos emociona a todos. Foram os trabalhos de remoção e limpeza, os donativos, o voluntariado, mas em especial a vontade de contribuir para com algo e para com alguém, que mais nos marcou. Toda esta lição de vida serviu-nos e servirá para concentrarmo-nos na recuperação e na necessidade de reerguer a nossa Região, conscientes das nossas vulnerabilidades, mas também certos da nossa vontade inabalável de fazer melhor. Passado um ano, ainda não estamos totalmente reabilitados, mas muito fizemos para tão poucos recursos que ainda dispomos. Importa recordar que dos auxílios prometidos, apenas os donativos foram logo disponibilizados e totalmente aplicados na recuperação e na aquisição de novas habitações. Mas como sabemos as necessidades são bem superiores, por isso lamentavelmente ainda estamos a aguardar os 31,6 Milhões de Euros do Fundo de Solidariedade da UE, os 250 Milhões de Euros do empréstimo do BEI e os 265 Milhões de Euros do Fundo de Coesão, de todas estas verbas a Madeira ainda não recebeu um cêntimo. Mas presenciamos de uma forma organizada, por parte dos insuspeitos do costume, a uma campanha de contra-informação, afirmando que o Governo e as Câmaras nada fazem, acusando-os de inclusive desviar as respectivas verbas. Esta leviandade é a mesma que há um ano os levaram, no momento de sofrimento, a não acudirem as populações, mas sim a dispensarem o seu tempo para a comunicação social, alimentado as suas vaidades pessoais. Por isso um ano depois, podemos afirmar que a Madeira não precisa desta vaidade e nem desta arrogância, mas precisa sim da vontade e da coragem do seu Povo, pois juntos faremos melhor.

Jaime Filipe Ramos, Deputado do PSD-M