A ZFM foi criada com o propósito de diversificar e internacionalizar a economia da RAM e não de criar emprego. De qualquer forma, as empresas cá localizadas são responsáveis por cerca de 2.800 postos de trabalho. Podemos sempre discutir se este número é razoável, mas não me parece que o timing para esta discussão seja justo. De facto, em 2007, o regime fiscal foi alterado e exige que cada empresa crie pelo menos um posto de trabalho na Madeira. Acontece que esta exigência só se torna aplicável para 94% das empresas da ZFM a partir do próximo ano. Só depois de 1 ano ou 2 de vigência das novas regras devemos objectivamente analisar esta questão. A importância da ZFM em muito que ultrapassa a criação de emprego ou as receitas fiscais. Há que referir que os quadros destas empresas são altamente especializados e ganham em média quase o dobro de um quadro a trabalhar noutra empresa local. A ZFM tem atraído rec. humanos com qualificações bem acima da média, muitos deles madeirenses a viver fora da ilha, que aproveitam a oportunidade de voltar a casa, sem ter de fazer compromissos nas suas carreiras profissionais. Isto para não falar no que estas empresas consomem em fornecimentos e serviços locais como rendas, consultoria, informática, material de escritório, despesas de representação, etc. Olhar apenas para a criação de emprego é redutor. Mais, criar emprego por decreto, tem o efeito contrário pois mina a competitividade da ZFM, pondo em causa a sua capacidade de atrair investimento.
Frederico Gouveia e Silva, Gestor