Com o pequeno e frágil tecido empresarial colapsado, na sua maioria em insolvência técnica, com baixas taxas de ocupação hoteleira e com a taxa de desemprego nos 13%, o Porto Santo vive numa situação económica e social periclitante. O desemprego triplicou em 2 anos. A crueza dos números aponta para 403 desempregados registados em Dezembro de 2010, contra 142 em 2008. Destes, 85% tem mais de 25 anos. Há mais de 1 ano nesta situação estão 27%, quando em 2008 esse valor cifrava-se nos 10%. Dos actuais desempregados, 53% são homens (em 2008 eram 30%), o que é em boa parte explicado pela retracção no sector da construção civil. Viver numa ilha, eterna refém da sazonalidade, agrava mais ainda este drama que começa a ser transversal às gerações, sejam elas "à rasca", "desenrasca" ou "parva que sou". Nas fileiras do desemprego cresce a geração "ilhada"! Isolada e desiludida com as vãs promessas de emprego com reais direitos que os investimentos prometeram gerar. Prevê-se uma melhoria com a chegada da época alta, quando há incremento da actividade económica e uma maior oferta de emprego. Dos operadores turísticos chegam boas notícias. Face às convulsões sociais no Egipto e na Tunísia, alteraram rotas, beneficiando a ilha dourada. Será um teste e uma oportunidade de ouro! Todavia, um destino turístico de eleição não pode ter grande parte da sua força de trabalho em situação precária, sujeita a trabalhos sazonais! A meu ver, a descontinuidade e insegurança laboral é inimiga da qualidade.

Renata Sousa, Vereadora do PS na CMPS