Várias vezes, ao longo dos últimos anos, o destino Madeira foi alvo de estudos que, entre outros objectivos, apontavam o número de camas que o destino teria como sustentáveis. Este número tem vindo a subir, não se sabe se porque a real capacidade do destino tem vindo a mudar, se as expectativas dos turistas têm vindo a alterar-se, ou se convém que os resultados destes estudos dêem, pelo menos, cobertura à realidade existente. O último aumento desta "capacidade" teórica do turismo madeirense foi aumentada aquando da ampliação da pista do aeroporto: tratava-se de fazer coincidir os valores da sustentabilidade do destino com os da viabilidade financeira do projecto. Ultimamente, surgiu, em contra-ciclo, um novo aumento destes valores: afinal parece que o destino pode suportar um aumento de capacidade, desta vez para as 45 mil camas. Um novo aumento parece-me muito perigoso. Porque põe em causa o que ainda resta de uma imagem de qualidade, porque põe em causa a diferenciação do destino, e porque não coincide com a realidade, na medida em que para encher (?) o parque hoteleiro existente os preços praticados não são sustentáveis. Tenho muito receio que estejamos, mais uma vez, a criar problemas para as gerações vindouras. Depois de lhes criar uma estrutura difícil de manter, e uma dívida muito pesada, vamos agora deixar que a única actividade sustentável da ilha se degrade, até à morte previsível de um destino que não cumpre promessas nem expectativas. Ainda estamos a tempo. Vamos regressar à realidade. Agora, antes que seja (demasiado) tarde.
Roberto Loja