Foi óbvio para todos, no Continente e na Madeira, que o candidato presidencial da Madeira alavancou algum descontentamento que grassa na sociedade madeirense relativamente aos que a representam no quadro político regional e, mais em particular, na governação da Região. Por um lado, há uma fatia dos eleitores que não se revê no Governo da Região, ou pelo menos em boa parte das suas políticas (saúde, habitação, gestão autárquica, turismo, ambiente, economia em geral) e, ao querer uma mudança, vota nos diferentes partidos da oposição. Por outro lado, há uma outra fatia do eleitorado que tem apoiado o Governo e o partido que o sustenta mas que entende que algumas políticas podem e devem ser melhoradas só que tal desiderato não encontra eco na forma rígida e autoritária como o seu líder dirige e impõe essas mesmas políticas. Como não estou tão envolvido no dia-a-dia da política regional oiço amigos e conhecidos me confidenciarem que até nem se importariam de experimentar uma alternativa política na região mas que não se revêem nos actuais protagonistas em cena (líderes partidários) e que receiam pela competência de um eventual governo a constituir, fora do quadro actual. Para eles, costumo responder que, a seu tempo, as competências aparecem pois os técnicos que qualquer governação requer, ou estão limitados na expressão das suas capacidades públicas (não são chamados a responsabilidades governativas), ou estão condicionados por exercerem cargos públicos de confiança política que os impedem de manifestar opinião ou de adoptarem práticas profissionais contra a ordem estabelecida. Ou seja, basta que o poder mude de mãos para que toda uma plêiade de voluntários se mostre disponível para colaborar com as novas forças em presença sem que tal signifique um mau contributo para uma nova governação, á partida. Então porque ter medo ou temor do futuro quando é contra isso que estamos a ver, por esse Mundo fora, populações a insurgir-se e a ganhar um inesperado direito de cidadania?

Nuno Jardim Fernandes, Gestor