Nuno Abreu Naturalmente, este é um assunto que recorrentemente assume protagonismo na nossa Camacha, por algum assalto, ou sequência, com maior impacto mediático ou outros pormenores relativos à PSP. Mas atenção que a Camacha não é um "ponto negro" na Madeira nem uma Vila sem ordem ou segurança pública, é sim, uma Vila com problemas que são comuns a muitas outras paragens da nossa ilha e que devem ser combatidos e não usados para outros fins. Independentemente das "guerras" políticas, o fundo da questão contém um autismo do Ministério da Administração Interna à particularidade da nossa Vila, analisando e gerindo um todo que não existe num país tão rico, multicultural e com diferenças sociais evidentes entre as grandes e as pequenas cidades, as aldeias e Vilas. Mas hoje falo da "desculpa" estatística, publicamente usada pelo Comando Regional, para refutar a necessidade de mais PSP na Camacha. Torna-se evidente o sentimento de inoperância ou impotência que anexamos à acção policial, muito por culpa da execução da Lei, da facilidade com que os prevaricadores permanecem em liberdade e continuam a actuar. Mas vale a pena apresentar queixa de toda e qualquer ocorrência, obrigando com a força dos números a que a desculpa se altere? Se os decisores da segurança pública escuda-se de números, com a frieza e a subjectividade que sempre têm, é sinal que ignoram em absoluto o "sentir" social, que por ser subjectivo, implica um maior conhecimento da população e do seu meio. Mais, desconsideram os representantes eleitos, religiosos, civis, públicos e privados, e os seus apelos e alertas. Então que nos resta? Ser interventivos, atentos e insistentes! Apresentemos queixa, sempre que tal for o caso, mantenhamos viva a ideia da necessidade do reforço policial, ainda mais em tempos que se afiguram socialmente mais instáveis, e façamos parte da solução, tomando as nossas devidas medidas de segurança, acautelando os nosso pertences e assumindo comportamentos mais seguros. Como nota de rodapé, a Câmara Municipal vai promover, conjuntamente com a PSP, acções de sensibilização junto da população mais idosa sobre os cuidados a terem na segurança pessoal e dos seus bens. Também as Instituições do Concelho serão abrangidas, o que, acredito, poderá contribuir para a diminuição dos casos de furto.