Diana Rodrigues Refiro-me à carta "Docentes Contratados" do Sr. João Sousa, publicada em 10.02.2011. Em resposta à sua pergunta "eu não tenho comida para o meu agregado familiar, vou ainda dividi-lo com a vizinhança?", considero que, mesmo que não tendo comida suficiente para nós, ou para o nosso agregado familiar, em determinadas circunstâncias, ela deve, sim, ser repartida. O sistema social que nós temos actualmente é muito injusto, e penso que todos concordarão que, em Portugal, a riqueza que temos, e que é produzida apenas por alguns - sempre os mesmos - não é justamente dividida pela população, e muito menos é dividida por quem a merece. Há casos em que a resposta a esta pergunta é "Sim". Mas o que aqui quero veementemente refutar é a ideia de que os docentes da Madeira devem ter direito às vagas de docente na Madeira, sobre os do continente. Considero isto um disparate autêntico, e considero, ainda, que, infelizmente, comprova uma mentalidade tristemente enraizada nesta Região, onde o que conta para a contratação de alguém é algo que não a sua capacidade ou o seu mérito. Estamos em Portugal. O que eu quero para os meus filhos são os melhores professores, venham eles de Mirandela ou de Machico. Idem para os enfermeiros, os médicos, os polícias, os juízes, etc. Os meus dois filhos estudam actualmente nas universidades (públicas) de Aveiro e Coimbra. Ainda bem que foi considerado apenas o seu mérito individual aquando da selecção para matrícula e ingresso. A seguir o raciocínio deste leitor ter-se-ia dado prioridade aos alunos do centro/norte de Portugal Continental e os meus filhos teriam ficado de fora, tal como muitos e muitos estudantes madeirenses… Penso que também muitos doentes oriundos da Madeira ficarão satisfeitos com o facto de receberem tratamentos médicos no Continente, sem que alguém se tenha lembrado de tratar "primeiro" os doentes do continente, por serem os das redondezas. Já vem sendo altura de aceitar que aquilo que deve contar, para seleccionar, é a habilidade, a aptidão, a capacidade e o mérito. Ninguém é mais do que ninguém em virtude do seu local de nascimento. Isso é irrelevante, tal como o apelido, o círculo social no qual se movimenta ou o partido…