Os resultados globais da actividade turística na Madeira no ano de 2010 não nos apanharam de surpresa. Todos sabíamos que a hotelaria regional registara um dos seus piores desempenhos da década. Por questões várias que não vamos repetir, mas que aconteceram, com o impacto que todos conhecemos. Se dos factos imprevisíveis que a Natureza criou não podemos tirar desforra, a verdade é que todo o cenário vivido leva-nos a uma reflexão profunda de alguns males que nos atormentam. Penso que esse trabalho já foi feito e todas as entidades que estão envolvidas no sector estarão hoje mais conscientes das fragilidades que apresentámos e das potencialidades que ainda temos para dar a volta a esta situação e melhorarmos os desempenhos e mudar nos aspectos que poderão potenciar a recuperação do destino, trazer de volta os turistas que não vieram e os outros que poderemos cativar com novas campanhas e com uma nova atitude no mercado. Tenho lido nos últimos meses textos interessantes de alguns profissionais madeirenses sobre Turismo. Tenho assistido nas últimas semanas a outras intervenções, também muito interessantes e válidas, sobre a actividade turística na Madeira. De pessoas mais jovens, com novas ideais, que mostram terem feito o que agora é moda chamar-se o ‘trabalho de casa’. Não há revelações originais, mas há um sentir unânime de como se deve estar, de como se deve fazer, de como se deve construir o nosso futuro em termos de promoção turística, de como devem actuar as unidades hoteleiras e toda a oferta turística regional. Contudo, tenho verificado que a contestação à actuação governamental ou às instituições criadas para a promoção, muda de tom quando alguém mais responsável está presente, e as boas ideias, que, confesso, tenho ouvido serem explanadas em fórum abertos, ficam-se pelas propostas ou pelas sugestões que acabam por não ser assumidas, ao gosto de cada um. O problema fundamental é que, tirando os grandes grupos hoteleiros, que são acusados de dominar o mercado e o gerirem a seu bel-prazer, os outros encolhem-se e acabam por não unir-se num desígnio que deve ser de todos, pois que os bons planos, desde que assumidos e executados, darão certamente bons resultados. As perspectivas para este ano são boas. Tivemos conhecimento nos últimos dias de novas operações, do lançamento de novos voos de diversos aeroportos do Reino Unido, da Alemanha e de Espanha. Há que aproveitar as oportunidades e ganhar com esta recuperação a continuidade que se pretende para o Turismo da Madeira. Mais do que discutir se o ‘Body Mind’ que a maioria aceitou, quando foi lançada a nova designação do destino – uma coisa que muitos se esqueceram -, há que ir lá para fora procurar os turistas, fazer o trabalho que outros destinos fazem. Há que dotar os estabelecimentos hoteleiros dos equipamentos necessários para que a qualidade não se descaracterize ainda mais. Temos de nos equipar a par da nossa concorrência, não só materialmente, mas também em termos humanos, já que por aí, continuamos a perder o que de bom sempre tivemos: o serviço ao cliente. Não podemos continuar a abrir hotéis sem um plano de negócios sério e realista. Temos de ir procurar turistas onde eles estão e sempre estiveram, não podemos passar a vida à espera da promoção oficial, já que os orçamentos são limitados e todos terão de fazer o seu trabalho. Não podemos ter hotéis de cinco estrelas, com cerca de 200 quartos e 40 empregados, ainda por cima desmotivados porque são mal pagos. Não podemos vender quartos a 20 euros, quando sabemos que a receita nunca pagará o investimento. O sufoco financeiro em que se encontram algumas unidades explica o momento, mas não tudo, já que esses planos de negócios se devem fazer a prazo e com estruturas sólidas e bem estudadas. Num ano em que as perspectivas são melhores, será também interessante que os empresários do sector não se ocupem com questões de paróquia. A competitividade ganha-se com trabalho e novas ideias e não com lamentações e acusações infundadas de quem parece viver num universo ainda mais limitado que as fronteiras das ilhas. Vamos aproveitar todas as oportunidades, com atenção redobrada, e planeamento. Teremos de estar atentos a algumas ameaças e evitar que, por exemplo, a TAP passe para metade o número de voos que tem hoje para a Madeira ou que a SATA abandone a rota de Lisboa, como à boca pequena já se fala que poderá acontecer no final do Verão… Que as ‘low costs’ são importantes não temos dúvidas, mas que não afugentem as companhias que estão instaladas e a quem a Madeira deve grande parte do seu sucesso. Responder-me-ão que o paradigma do cliente mudou. Eu direi que agora também temos esses clientes, que devemos recebê-los de braços abertos, porque ocupam o lugar de outros que não soubemos fidelizar… Não obstante os avisos e as ameaças, estou convencido que 2011 será um bom ano para a hotelaria madeirense, se soubermos vender a bom preço e não cairmos na tentação de assegurar em campanhas de saldos os clientes que antes pagavam mais e partiam, à mesma, satisfeitos. Onde está o segredo? Penso que para isso muitos estudaram para serem gestores hoteleiros. Apenas conhecimento e informação.