Ao longo dos últimos meses temos assistido à confusão que se instalou na Federação Portuguesa de Futebol quanto aos seus estatutos. Para o adepto do futebol tudo não passa de mais uma, das inúmeras confusões em que tem estado mergulhado o futebol português, tentando-se perceber o que, de fato motiva esta guerra do aprova e não aprova os novos estatutos. O que motiva esta guerra toda é tão-somente uma questão de representatividade e de poder de decisão no que à assembleia-geral diz respeito. Algumas associações tentam a todo o custo evitar a perda de representatividade uma vez que os novos estatutos significam uma redução do futebol associativo e um reforço do futebol profissional. As associações representam cerca de 136 mil jogadores contra 1530 profissionais. Alega-se que, com os novos estatutos passa a haver um modelo mais democrático, não se atribuindo a qualquer associado da FPF uma representação esmagadora nas assembleias-gerais, ao contrário do que acontece hoje onde os votos das associações distritais e regionais contabilizam no seu conjunto 55% dos votos. Ora com os novos estatutos o bloco percentual, das associações distritais e regionais passa dos actuais 55% para 35%. Nesta maior representatividade nos novos estatutos temos, por exemplo a liga de futebol Não - profissional a alcançar 10% e o sindicato dos jogadores a chegar aos 15%. Outro ponto fundamental na discórdia relaciona-se com o reforço das competências do presidente da FPF, que vê cair, nos novos estatutos, a prévia aprovação da assembleia-geral no que diz respeito ao poder de nomear e destituir os órgãos que não devam ser eleitos: Direcção, conselho de disciplina e, parcialmente o conselho de arbitragem. Dizem os do contra que a queda da prévia aprovação em assembleia-geral pode levar a um gestão ditatorial do próximo ou próximos presidentes, uma vez que este vê o seu poder executivo reforçado. Alega-se que não podem os estatutos ser aprovados só porque existem uma série de ameaças por parte do governo, que suspendeu o estatuto de utilidade pública e ameaça retirar o mesmo, caso a adaptação dos estatutos ao Regime da Federações Desportivas não ocorra com brevidade. A quem interessa esta guerra dos estatutos? Ao futebol português não será certamente! O que fará o governo? Nada! Porquê? Porque o "bebé" é demasiado grande para o seu colo.

Duarte Vieira, Advogado