Manuel João Baptista Rosa A Universidade da Madeira acordou para a realidade do nosso sistema de ensino ao criar cursos profissionais. Não é, no entanto, essa a sua missão. O que o nosso país precisa é de um ensino universitário e ensino profissional com igual qualidade mas gerido por entidades distintas e não uns a se imiscuírem nas competência dos outros. A Suíça tem os dois níveis de ensino, ambos com igual qualidade e dignidade social, de tal forma que consegue inserir no mercado de trabalho todos os recursos formados em qualquer um daqueles níveis. Por cá eliminou-se o ensino técnico-profissional das escolas públicas para o entregar às privadas (sou pelo ensino público e privado em igualdade de condições) beneficiando-as dos apoios comunitários que surgiram para o efeito e impedindo-se, inclusivé, as escolas públicas de terem acesso aos mesmos. Uma vez acabados esses apoios o ensino profissional provavelmente regressará ao ensino público. Tem sido esta a gestão estatal do ensino procurando satisfazer prioritariamente os interesses dos lobbies e não os do país. Neste momento o ensino profissional, nas escolas públicas, é praticamente inexistente o que faz com que as estruturas físicas existentes estejam praticamente inactivas no turno da noite. Um autêntico desperdício. Os cursos profissionais devem ser reintroduzidos rapidamente no ensino público, em novos moldes, com um currículo muito curto, conteúdos programáticos adequados ao objectivo da função que o formando irá desempenhar, leccionados por professores com experiência profissional e com estágio integrado. Por último, deverá exigir-se que tais cursos coloquem efectivamente os formandos no mercado de trabalho e, quando tal não suceda, os mesmos devem ser extintos ou deixarem de ser apoiados para que não se verifique o que actualmente acontece, em que cursos com treze/catorze formandos colocam apenas um/dois. Não interessam as notas atribuídas pelos formadores se as mesmas não estiverem em consonância com o número mínimo de formandos colocados, o qual deveria ser de 50% por turma. Assim teríamos um ensino profissional de qualidade e ao serviço do país.