A primeira grande lição que, apesar de todas as demais circunstâncias, incidentes e contingências, é a de que os portugueses, incluindo os madeirenses, em momento particularmente difícil, mantiveram especial lucidez, ao escolherem Cavaco Silva para exercer o cargo de Presidente da República. Mas a análise do resultado eleitoral, tanto a nível nacional, como a nível regional, não se deve ficar por aqui. Penso que Manuel Alegre e Defensor de Moura devem estar arrependidos de se terem deixado empurrar pelo seu Partido e pelo Governo, para uma campanha suja, de casos e de insinuações. A lama salpica sempre quem a atira aos outros e a elevação de uma eleição presidencial, numa Democracia com "maturidade", exigia-se que não acontecesse. Aliás, é espantoso que factos ocorridos há mais de uma década - compra de acções do BPN e aquisição da casa de férias - tenham sido trazidos para a campanha contra Cavaco Silva. Então, se alguma coisa menos clara tivesse envolvido tais actos - e só não conhecendo a seriedade e honestidade de Cavaco Silva se pode, por um segundo que seja, o admitir - isso não tenha constituído impedimento ao exercício da função de Presidente da República durante os últimos cinco anos, mas agora já o impediria de ser candidato. Onde é que estiveram Manuel Alegre e Defensor de Moura, nos últimos cinco anos, que nada disseram sobre tais casos!? Vê-se mesmo que tudo isto foi inventado e forjado para a campanha e, por isso, não se passou de suspeições e insinuações, como convinha! Depois admiram-se da crescente abstenção e do acrescento de votação de que beneficiaram Nobre e Coelho como candidatos desalinhados do sistema. Uma palavra para os resultados a nível regional e suas implicações. Todos os Partidos da Oposição, na Região, andaram, explicitamente ou de forma oculta, a estimular o Coelho no seu discurso contra o PSD e contra Jardim. Aliás, o próprio PS anunciou a "Plataforma Democrática" em que incluiu o PND que acolhera Coelho. Aliás, ele próprio, vem referindo, ter sido convidado para ingressar no PS, por Bernardo Trindade e por Jardim Fernandes. Ora, quem semeia ventos colhe tempestades! O resultado foi esta vergonha do candidato apoiado pelo PS e pelo BE, ter sido largamente ultrapassado por Coelho. A frente de esquerda enterrou-se no dia da eleição presidencial. Razão tem, pois, Alberto João Jardim, ao dizer que vai disputar as próximas eleições regionais com a extrema direita!

Guilherme Silva - Deputado na AR