Desde há vários anos que a oferta turística europeia, sobretudo a de "destinos turísticos" tradicionais, excede a procura, acontecendo também no turismo, a aplicação do princípio dos vasos comunicantes. Na bacia do mediterrâneo e ilhas atlânticas, quando a procura tende para leste, o oeste sofre e vice-versa. Acontece que nestes últimos dez anos, surgiu, a par dos cruzeiros e do protagonismo das cidades, um novo ciclo de oferta, gerado sobretudo na Turquia e Egipto, fazendo derivar fortes fluxos turísticos para esses mercados. Considero que estes países, tiveram no turismo um comportamento muito idêntico ao grande ascendente que a China tem tido no protagonismo global. Diria que são "a China do turismo". Com um custo de mão-de-obra irrisório, fruto dos respectivos ambientes políticos (o rendimento per capita no Egipto é de 2 dólares por dia), estes países subverteram as regras de mercado, pois têm reflectido na comercialização dos seus destinos, os baixíssimos custos de exploração. Segurança, contudo, é um atributo fundamental para a popularidade de um destino turístico. A Madeira tem sentido "na pele" esse ambiente. Não, fruto de instabilidade social, mas a Natureza pregou-nos tal partida o ano passado, que ainda hoje sentimos o efeito da falta de segurança nas incursões pelo interior da Ilha e descoberta da nossa principal mais-valia - a natureza. Paralelamente, o imediatismo que tem conduzido muitas mentes brilhantes regionais, não tem dado sinais, infelizmente, de alguma mudança. O efeito "vasos comunicantes" está contudo a indiciar primeiros números de uma ténue recuperação na Madeira. Os primeiros números de reservas para o Verão são, em vários casos, positivos e isto deixa-nos expectantes. Paralelamente, destinos do leste do mediterrâneo, como o Egipto e Tunísia, sofrem fortemente com a instabilidade politica e social. Agora, é fundamental que encontremos entendimento no que há a fazer. E não é só na promoção. É sobretudo no arrumar da casa, num ambiente em que muita coisa má já foi feita e numa definição clara do que se quer para a Madeira. Começando por perceber quem é o nosso cliente: o de Inverno e o de Verão (pois são diferentes) e, consequentemente, dotar o destino daquilo que cada um deles mais procura. Em conjunto e mais uma vez digo, sem febres de protagonismos. Continuarei neste tema, no meu próximo "escrito".
António Trindade - Empresário