Cavaco Silva ganhou, desta vez com menos de 53% dos votos dos cidadãos eleitores com direito a voto. Apenas 47% do total de inscritos. Foi o pior resultado dum recandidato na história da nossa democracia. Temos um Presidente eleito por uma minoria dos portugueses e isso é muito mau para a democracia. Cada vez mais, milhões de portugueses, estão a demitir-se de participar nos destinos do País e isso é deveras preocupante. Manuel Alegre, que era o candidato mais bem posicionado para disputar uma segunda volta perdeu. Mas perdeu porquê? Em primeiro lugar porque os eleitores dos partidos que o apoiaram, a começar por alguns dirigentes, não votaram nele. Em segundo lugar, porque desde o inicio não foi gerada uma verdadeira união do centro esquerda, que permitisse criar uma dinâmica vencedora, para que uma segunda volta fosse possível. Alguns preferem estar eternamente "puros" do que se juntar para mudar este estado de coisas. Em terceiro lugar, porque era muito difícil convencer muitas pessoas a votar num candidato, apoiado pelo Primeiro-Ministro, que está a atacar o Estado Social, como nunca aconteceu após o 25 de Abril de 1974, mesmo que este candidato, algumas vezes, fosse corajoso e independente nas suas posições, como aconteceu com o Código de Trabalho e com o Serviço Nacional de Saúde. Na Madeira, com excepção da votação em JMC, a votação foi igual ao resto do País, só com a diferença que aqui, as cobardias conhecidas foram maiores. Alguns sacudiram logo a água do capote, fugindo a dar a cara na hora da derrota, tratando os madeirenses como se fossem "burros". E "burros" é que os madeirenses não são quando através do seu voto, silencioso, mostraram, maioritariamente, que não querem, nem este presidente nem estes cobardes, que fogem a dar a cara na hora das derrotas, que deixam os seus aliados sozinhos e depois ainda tentam impor-se como líderes da oposição. Existem pessoas que pensam que são muito espertas, quando o seu partido no poder na República aprova a retirada de direitos a quem trabalha, e, na Madeira, vêm fazer propostas para que esses direitos não sejam retirados, pensando que somos todos uns analfabetos e que não temos cabeça para pensar e ver que na hora da verdade são farinha do mesmo saco. O povo madeirense está mais do que cansado deste regime, que já dura há mais de três décadas, mas está a mostrar que não quer mudar para ficar tudo igual ou pior como está a acontecer no país. Quer outra forma de fazer política, quer compreender o porquê da situação que vivemos e parece querer experimentar outras alternativas que ajudem a mudar esta terra. Ou os partidos que defendem uma verdadeira política de oposição e que combatem a sério este regime entendem estes sinais, e, tentam criar também uma verdadeira alternativa, ou então, tudo poderá acontecer nas próximas eleições regionais. O pior que poderá acontecer é a revolta silenciosa se transformar numa anarquia vazia de conteúdos, sem saídas para o futuro. Se isso acontecer todos seremos responsáveis.
Guida Vieira