Em Outubro de 2007, após nova 'banhada' nas eleições na Madeira, antecipadas em protesto por 'atrocidades' perpetradas por Sócrates na Lei das Finanças Regionais, Jardim explicava a quem ainda o ouvia que, afinal, as prioridades poderiam esperar por Janeiro do ano seguinte. Temos o Orçamento, depois mete-se as festas de Natal, de maneira que em Janeiro ia escrever uma carta ao Governo da República, justificou o presidente, na altura. Quatro anos volvidos, com mais uma violenta campanha eleitoral para trás, Jardim somou mais uma vitória eleitoral, mesmo perdendo 18 mil eleitores. Passaram-se dois meses da confirmação de nova maioria absoluta, e raras vezes se tem visto ou ouvido Jardim, excepto nos repetitivos regressos da Europa. Um dia destes fará o favor de explicar, no parlamento que já apelidou "de loucos", o resultado de dois meses de aturadíssimas demarches, semanas de reflexão e contactos ao mais alto nível, tudo coisas que darão consistência ao seu 'programa de governo', que será executado por um Executivo igual ao anterior, com todas as ilações que daí advêm. Depois, claro, metem-se as festas de Natal, o Orçamento em Janeiro e talvez escreva uma carta ao governo central, antes do Carnaval, que ninguém vai ler em Lisboa, mas que o JM vai publicar na íntegra. E isso é que interessa. O importante é parecer, e aqui na terreola as pessoas contentam-se com pouco. Pelo meio, há um plano de ajustamento financeiro em 'banho maria', que a todos vai condicionar irremediavelmente. Deveria ser a prioridade, mas está relegada para o campo das habilidades políticas: Jardim queria que os madeirenses culpassem Lisboa de tudo o que vem aí, o ministro das Finanças percebeu e contra-atacou: 'Ora, digam lá como é que tencionam pagar a despesa que fizeram!' A resposta não se fez esperar: Jardim foi outra vez para Bruxelas reunir com os parceiros do Norte Westfália e da Basilicata, entre outros, com ameaças de diplomacia paralela pelo meio, de embaixada em embaixada. Pena que Durão Barroso tivesse o gabinete fechado - estava a ser recebido por Obama nos EUA - e, em Lisboa, Cavaco Silva já sabe o que a casa gasta. Voltando à realidade terrena, longe de Bruxelas, funcionários de várias instituições de solidariedade social estão sem subsídio de Natal, clubes desportivos tremem com compromissos no continente, fornecedores do Governo continuam sem receber. Vá lá que o vice-presidente do Governo decidiu destoar e já começou a falar a verdade aos madeirenses. Alguém tinha de fazê-lo. Pedro Martins Treinador do Marítimo Com os pés bem assentes no chão, o técnico verde-rubro já vai em 14 jogos sem derrotas. A eliminação do Benfica demonstra consistência. Maria José Camacho EX-Directora Educação Especial A reorganização governativa esvaziou a Educação Especial e premiou sectores doentios, como o IDRAM. A ex-directora deixa obra feita. Manuel Neto Autarca do jardim da serra Notabilizou-se na luta pelos ideais do Jardim da Serra. Não se acomodou ao poder. Face às ameaças, está de volta na defesa de convicções. José Manuel Coelho Deputado do PTP A sociedade, que o elegeu e valorizou de forma excessiva, tem regras para serem cumpridas. As decisões dos tribunais são para cumprir. Alberto João Jardim Presidente do Governo Regional Foi eleito presidente da Madeira ou 'embaixador itinerante'? Continua a ser verdade que "o bom governante é o que governa sem dinheiro"?
De Bruxelas à realidade
Felizmente já se começou a destoar. E a falar verdade. alguém tinha de fazê-lo