Ana Margarida S. Abreu Um passo em falso poderá constituir motivo passível de justificar uma conduta violenta por parte de um agente policial que, vendo-se forçado a alterar a sua trajectória pedestre, recorre à brutalidade para evitar o esforço. Se esta afirmação parece revestir-se de absurdo, tem, por incrível que pareça, antecedentes. E assim aconteceu, a um estudante universitário, no passado dia 24 de Dezembro, na já tão tradicional e popular Noite do Mercado. Na sequência do referido, outra estudante é também ela insultada e agredida quando, exercendo com legitimidade um direito que julgava seu, pediu ao dito agente pertencente à B.I.R. (Brigada de Intervenção Rápida) algum tipo de identificação. Escusado será dizer que, tanto o polícia agressor como os colegas que, em equipa, agiram em conformidade, não só não a expunham visivelmente, como também se recusaram a dá-la, apesar das inúmeras e continuadas solicitações. As consequências desta atitude irascível, violenta e injustificada foram para além da revolta e indignação sentidas pelos intervenientes do conflito, resultando, inclusive, em 40 pontos no joelho do primeiro estudante agredido; hematomas no braço da estudante claramente sugestivos da força com esta foi "sacudida" pelo polícia em questão (situação a que os restantes elementos do presente corpo policial assistiram passivamente); e em ameaças de agressão dirigidas ao irmão da mesma, trabalhador estudante, numa tentativa de o silenciar. Numa posterior tentativa de culpabilizar e punir o responsável por este trágico e lamentável incidente, dirigimo-nos à sede da Polícia do Funchal e reportámos a ocorrência a uma alta patente que, quando questionada acerca da falta de identificação dos agentes da brigada referiu-se à possibilidade (se não impossível, extraordinariamente remota) "da plaquinha dos agentes ter caído durante a noite", e mencionou como única recomendação possível para proceder à identificação do agressor "tentar encontrá-lo nas ruas e esperar que esteja devidamente identificado". Como expectável, a resposta obtida só contribuiu para alimentar a revolta e decepção por nós partilhada, fomentando um sentimento de impotência face ao uso, ou abuso, de força, poder e autoridade, um resultado directo de leituras desadequadas de situações, efectuadas por supostos "profissionais", acabando eles próprios por iniciar o distúrbio. A tudo isto, junta-se a imunidade que parece estar inerente a esta brigada que, aparentemente, a nada nem a ninguém responde, emergindo impune de actuações altamentamente condenáveis.