Termino o ano a escrever sobre turismo. Ainda. É verdade. Não que o tema esteja esgotado, ou que sobre ele já se tenha escrito tudo. O advérbio que é dos mais usados na escrita e na conversação, não tem, neste contexto, a violência de uma interjeição que poderia ser de desânimo ou impaciência, se estivesse seguida de um ponto de exclamação. Portanto, retirando a surpresa, o espanto ou a admiração que a palavra pode ter causado aos incautos, pretendo apenas, e uma vez mais, lembrar que o tema não se esgota no muito que se tem escrito ao longo do ano. Vamos fechar 2011 com o turismo a dominar algumas das conversas de balanço na Região Autónoma. Há bons, mas também maus motivos para que dele falemos. Os bons motivos são que, mesmo assim, os resultados serão razoáveis, de uma maneira geral, no rescaldo anual. Tivemos mais turistas, mais dormidas e mais receitas. Resultado de um maior ou menor esforço, isso ficará na análise de cada um, que espero, sobretudo no que toca aos profissionais, saberão entender a relação das causas e dos efeitos. Os maus motivos são o pessimismo e a desesperança que afectam o sector, numa fase muito crítica da nossa existência, em que parece que tudo o que não presta se abateu sobre nós. Não perfilho correntes negativas, acho que somos capazes de criar cenários positivos, pelo menos mais alegres, e mais adequados ao desenvolvimento, desde que se aja a tempo e imbuídos de um espírito mais aberto ao diálogo e de acordo com as situações e os objectivos que se projectam. A actividade turística tem uma dinâmica muito grande e o seu sucesso, actualmente, resulta muito do ‘benchmarking’ que continuamente os seus actores conseguem desenvolver. O ‘benchmarking’, neste caso como em outros semelhantes, é um processo contínuo de busca, que pretende identificar os pontos fortes dos concorrentes e depois adaptá-los a nosso favor, de forma que o nosso desempenho seja melhorado ou aprimorado. Penso que, neste momento, e seguindo as novas técnicas, tão bem divulgadas nos últimos eventos ligados ao marketing turístico, esse será um dos caminhos fulcrais do trabalho que deverá ser feito, também na Madeira, para que se encare o futuro com mais esperança. Temos de assumir uma disponibilidade mental total para nos confrontarmos com as diversas realidades e hipóteses que se colocam num cenário de mudança, para adopção das medidas que possam valorizar o produto turístico, melhorar ou potenciar propostas de valor que coloquem a Madeira no patamar do mercado internacional. Saindo da retórica das palavras, direi que teremos de definir uma nova estratégica. Não porque se pretenda ser contra as ideias de A ou de B, mas porque a evolução e a dinâmica do sector implicam que se analise e se discuta nos lugares próprios, e com as pessoas certas, as razões do fracasso ou do sucesso de algumas opções. Serei mais claro se disser que alguns profissionais madeirenses precisam de reformular as suas vestes e envergar uma camisola única de defesa do produto e definição de um caminho que deve ser adoptado, antes que as nossas hipóteses de defesa ou de manutenção no mercado passem apenas pelo abaixamento das tarifas. Sem sofismas e sem truques na manga. Tenho lido bons textos de parceiros do sector. Alguns com coragem, outros com boas ideias. Outros ainda num exercício de exibicionismo que fica com quem o assume. O desafio que se coloca é de juntarmos uma vez mais essas vontades, e que em todos haja a humildade de voltar ao palco ou à mesa de reuniões para que de forma frontal, mas verdadeira e bem intencionada, se tracem novos objectivos e uma estratégia mais adequada ao momento em que se vive. Não há dinheiro para promoção, não temos uma companhia aérea, nem temos dimensão para nos defendermos, e a decisão suicida de taxar ainda mais, directa e indirectamente o sector são motivos que ferem de morte o futuro do turismo da Madeira. Será esta a verdade? Não estará longe da realidade para alguns pensantes. A minha opinião por aí anda também. Não podemos ficar apenas pela acusação. Temos de mover-nos e ver como outros, nas mesmas circunstâncias, conseguiram ultrapassar as dificuldades. Teremos de saber que pontos fortes existem para, eventualmente, anular os pontos fracos e superarmos a crise. Mas hoje. Amanhã será demasiado tarde!