Luis Lemos Gomes "Quem não se entende, desqualifica-se" é uma frase que ouvi de alguém que muito admiro e que me parece sentenciar uma realidade cada vez mais ajustada a alguns protagonistas do nosso tempo e desta sociedade de desentendidos, em louca correria por sucesso, poder e notoriedade, pelos quais parece disposta a pagar qualquer preço! Ninguém quer saber do outro, especialmente se esse outro pode atrasar uma corrida que também se faz por equipas, constituídas pela fria contabilização dos "que estão por nós" ou "estão contra nós". Os primeiros porque cooperam os outros porque questionam e atrapalham, numa lógica que transforma o nosso quotidiano numa "guerra" absurda e sem vencedor, onde todos, sem exceção, se desqualificam! Se "os que estão por nós" exercem cargos públicos, deveriam saber que lhes foi confiada uma missão para ser exercida com transparência e subordinada ao dever de serviço aos outros e à promoção do bem comum, sob o escrutínio que se impõe a quem administra o que a todos pertence, não se percebendo a irascibilidade, sempre que questionados acerca das suas decisões…! Aos "que estão contra nós" compete serem justos na crítica, assegurando não apenas a disponibilização de alternativas que o sejam, como também o dever de fiscalização e de denúncia dos excessos que possam verificar-se entre "os que estão por nós", esperando-se uma atitude construtiva e não apenas uma réplica dos defeitos que tão expeditamente apontam aos outros. Aos observadores, especialmente aos que têm a missão de escrever para nós" exige-se que o façam de forma honesta e rigorosa, separando com total clareza o que é notícia do que é opinião e tendo sempre presente, que a notícia é factual e não tem que "estar por nós" ou "contra nós", que é como quem diz, não deve ser utilizada com outra finalidade que não seja informar! Infelizmente, "estando por nós", "contra nós", ou, simplesmente, "escrevendo e opinando para nós", a verdade é que quase todos correm pelos seus "nós", e, desentendidos, raramente procuram consensos que favoreçam a convergência para o bem comum, assim preterido em favor da vantagem pessoal ou da conveniência dos respetivos "nós"! Atados a tantos "nós", deprimidos, falidos, derrotadas pela mediocridade e pela falta de valores éticos e morais de tanta gente "desqualificada", eis-nos rumo a um perigoso desconhecido, que o início de 2012 não tardará a desvendar! Aqui entre nós, sejam quais forem os sacrifícios que tenhamos que fazer, eles só valerão a pena se formos capazes de nos desembaraçar dos "nós" que nos têm dado, começando pelos "desqualificados" que nos conduziram à presente situação e acabando nos "desentendidos" que a querem resolver à custa de impostos aplicados a quem trabalha e produz, ou, trabalhou e poupou ou investiu, confiando que o Estado nunca deixaria de honrar os compromissos assumidos, alguns sob a forma de Leis, porque de um Estado se espera a promoção do bem comum, da equidade e da justiça…, bem como a punição dos que dele se aproveitaram para servir outros interesses. Afinal, não será bem assim, pelo menos desde que se permitiu tanta mediocridade no poder, o que também não deixa de nos "desqualificar"!