O que no início era uma crise financeira, com impacto nos mercados bolsistas, foi-se tornando numa crise económica. Numa grave crise económica. Neste momento não é apenas a banca e o setor financeiro que está afetado, mas toda a Economia - Estado, famílias e empresas - que está a braços com o pior cenário que Portugal vive desde 1974. A par do emprego, um dos mais relevantes indicadores do estado da Economia, o da "confiança dos consumidores", medido pelo INE através de inquéritos a particulares, registou em Portugal baixas significativas, tendo atingido um mínimo histórico no mês passado. Segundo o INE, "a degradação das expetativas das famílias observou-se em todas as componentes, mais significativa no caso das perspetivas sobre a evolução da situação económica do país". Com o aumento de impostos o consumo retrai-se e os consumidores "assustam-se". As medidas fiscais assumidas pelo Governo - justas ou injustas - farão arrefecer o clima económico em 2012. Consumidores receosos e com menos dinheiro disponível farão baixar a massa monetária em circulação. O que o Governo não parece ter em conta é que a Economia é feita de pessoas e para as pessoas. E são as pessoas e os seus investimentos pessoais que determinam a evolução da situação económica. O que cada consumidor faz com os seus rendimentos mensais é o que faz avançar o comércio, a agricultura, a indústria e os serviços em geral. Tornámo-nos dependentes de uma Europa que não tem rumo, estamos agora menos esperançados do que nunca e, pior, muito mais céticos quanto ao futuro do que estávamos após a Revolução. O medo que assustou os mercados agora chegou às pessoas. E o pior está para vir.

Luís Sena Lino - Consultor de Marketing e Comunicação