José Edgar Marques Da Silva Desperdício e Despesismo, andam de mãos dadas e pés atados; são almas gémeas. Corroem as empresas e orientam-nas para situações de insolvência e falência técnica, se de privadas falamos, está assegurado o seu fim e encerramento, se de públicas nos referimos, está assegurado deficits e prejuízos monumentais: a gestão da empresa resume-se á gestão da sua divida a longo e a curto prazo; e o recurso à engenharia financeira é "chapa 4", e faz do gestor mais um artista que um líder, mais um "compõe ramalhetes, ou segura pontas". O custo da qualidade, pode reflectir-se no custo do desperdício, pela existência da "má qualidade": dentro das organizações, em tempos de crise, é vulgar o recurso à contenção, e ao rigor extremo, produz situações de negligência e promove a má qualidade, consequentemente esta, incentiva e dá origem á génese do desperdício na organização; mas também reflecte a competência e a liderança dos seus gestores de topo; inclusive os "marca e avalia": nas empresas públicas, assiste-se á décadas a manifestações de desperdícios, sempre classificados de idiopáticos e dos quais ninguém tem culpa aparente, cuja memoria e responsabilidades já se perderam entre as brumas do passado; tudo muito conveniente. Mas na saúde, o que se tem a certeza é quais os grupos profissionais, que desde sempre, foram chamados, sempre pela força de um prestígio intemporal, quase de cariz genético, chamados aos mais elevados cargos de gestão na saúde: é ridículo o ataque, dentro das organizações da saúde, aos profissionais de "segunda linha"; aplicar contenção, rigor e cortes, sempre aos mesmos em primeiro lugar e na primeira linha, seja qual for o PM que nos "saia na rifa", quando nunca a essas licenciaturas se lhes, entregou ou confiou tais responsabilidades na gestão e na liderança, das ditas organizações e ministérios; inclusive até surgem uns "santos de fora", que milagres não fazem, às vezes, até complicam o que já estava descomplexado, nas organizações hospitalares: aqui o cerne do desperdício é a desvalorização de "quem sabe, mesmo", pela valorização da nomeação da ignorância controlada. A má qualidade, nasce também, de opções erradas, basta a qualidade planeada caminhar em oposição aos anseios dos clientes, e se tal premissa não for considerada, prevenida, é no final considerado pela organização, imputando o prejuízo, ao custo acrescido pelos serviços, aos clientes; reflecte-se também, em medidas de excessivo controlo e contenção sobre os profissionais, impondo medidas que potenciam a negligência e incrementam a contínua existência da má qualidade: um círculo vicioso que se instala nos circuitos de produção e se reflecte na gestão de topo, que não a elimina, que de forma inconsciente, alimentam continuamente com "rigor e contenção", por escolha mais aleatória que racional; aceita-se rigor e contenção, mas direccionados para os alvos certos; mas logo conflitos de interesses atacam e os desviam, convenientemente. Nasce assim do desperdício, o inevitável despesismo, fecundas taxas moderadoras, e outras reguladoras, que por si só, nada resolvem, quando para se encontrar soluções, a organização tem em primeiro lugar que se organizar e mudar o paradigma na gestão da saúde, é a própria organização a crescer de dentro para fora, aproveitando todo o seu potencial humano, que dá lucro, se for valorizado: combatendo o desperdício e o despesismo, o transformar em parte, em prémios de produtividade, e outra investindo na modernização contínua da organização: com uma gestão humanizada, participada, está encontrada a equipa vencedora; a questão é quando?