É com as crises que se redescobre a noção de ciclo: termina-se uma época mas também um novo período se abre. Novas dinâmicas sociais, urbanas e socioeconómicas terão de resplandecer. Quando olho para o nosso Funchal vejo mais que uma cidade: vejo um povo de pioneiros. Fomos pioneiros nos Descobrimentos, no comércio internacional, na pluralidade, na criação da actividade turística portuguesa, na visão de Fernão de Ornelas e no repensar do urbanismo pós 25 de Abril. O arrojo está nos inscrito na alma. A juventude funchalense de hoje tem o potencial de continuar a inovar, mas para isso tem que soltar as amarras do conformismo. Temos que reconstruir um "novo ambiente urbano" enquanto estratégia, que tenha por missão dinamizar algumas zonas da cidade desfeita, dissolvida e esquecida desde há algum tempo. Nesse sentido, deveríamos tornar o Funchal numa cidade pioneira em Portugal ao aplicar a Resolução da Assembleia da República que recomenda a promoção da reabilitação urbana low cost. Esta modalidade implica a criação de mecanismos que atribuam maior flexibilidade às normas de construção (realização, critérios de exigência e execução das diversas especialidades dos projectos), bem como aplicando uma descriminação positiva em favor dos mais jovens na habitação nas zonas do Funchal que mais necessitam de ser reabilitadas. É esta noção de urbanismo de proximidade, misturando usos do solo e funções urbanas, que irá dinamizar o centro da cidade e colmatar as reais necessidades dos jovens, consolidando assim o Funchal enquanto cidade actual e estruturada. Esse é o Funchal Futuro.

Hugo Gonçalves, Professor