Odia de hoje não se coaduna com grandes reflexões. Aproveitando a solenidade do Natal, seria conveniente fechar os olhos às questões terrenas que fazem parte da nossa realidade. Até certo ponto é possível fazer esse exercício de hipocrisia e de 'deixa andar'. Mas não exageremos. Dadas as circunstâncias, com a Madeira ainda mergulhada em incertezas e indefinições, à beira da assinatura de um ajuste financeiro que vai penalizar todos - menos os autores e actores da derrocada que caiu sobre os contribuintes - há a registar mais uma semana de feitos anedóticos e contraproducentes. Exactamente no sentido contrário do que precisa a nossa débil situação política, social e financeira. Mesmo correndo o risco da acusação de parcialidade - o que é um mito nesta questão, como noutras - nenhum madeirense pode ficar imperturbável face a mais um patético episódio em torno do financiamento escandaloso do Jornal da Madeira. Vimos o deputado do PSD na República, o advogado Guilherme Silva, atirar areia para os olhos dos contribuintes que lhe pagam, cantar vitória com um mero procedimento na enfadonha justiça dos nossos pecados. Como se sabe, a empresa proprietária deste jornal intentou acções nos tribunais e na Comissão Europeia, contra o comportamento do Governo Regional que insiste em distorcer a concorrência num sector específico da vida empresarial da Região, ao aplicar 4 milhões de euros dos nossos impostos num jornal que apenas serve os interesses do partido no poder. Correm diversas acções, todas longe do fim. Numa delas, uma providência cautelar que pretendia travar os financiamentos escandalosos enquanto os tribunais fazem a sua avaliação principal, houve uma decisão desfavorável à EDN. O advogado do regime, Guilherme Silva, não teve pejo em anunciar "um sucesso da Região Autónoma, um sucesso da Empresa JM, um insucesso da EDN". Faltou dizer o mais óbvio, a única coisa palpável nesta altura: mais um sucesso para o advogado Guilherme Silva, que continua a facturar à conta dos impostos dos madeirenses. Algo que, como se verá, nada tem a ver com o desfecho deste conflito: a RAM e o JM podem perder, ele ganhará de certeza. Se os impostos do seu gabinete são pagos no Continente ou na Madeira, isso até é questão de somenos. Noutro plano, bem mais importante, reconfirmaram-se esta semana alguns dos piores cenários no processo de financiamento da Madeira para começar a contornar a sua dívida astronómica. A 25 de Setembro, nestas colunas, escrevi: "Agora, face aos exageros e às mentiras de Jardim, a República vai voltar a ditar todas as regras, porque não somos confiáveis. Vamos limitar-nos a cumprir o que Lisboa ditar, porque dificilmente deixar-se-ão enganar outra vez. E o mérito deste 'andar para trás', de deitar tudo a perder, é da mesmíssima pessoa." Três meses e mais uma maioria absoluta depois, nada a acrescentar. Nem a tirar. Bom Natal, no que for possível. Gil Canha, Dirigente do PND Dinamizou a acção partidária de distribuir cabazes de 15 euros, com verbas do 'jackpot' vergonhoso. A mensagem passou. Manuel António Correia, Secretário da Agricultura A sua perseverança resultou num aumento da comparticipação europeia nos projectos submetidos. Uma poupança de 14,5 milhões. Conceição Estudante, Secretária do turismo A Madeira vai assistir ao pior fim-de-ano da última década, em termos de ocupação hoteleira. A crise actual não consegue justificar tudo. Catanho José, Presidente do IDRAM Na questão do hóquei do Porto Santo, como noutras, denota falta de poder de decisão, quando os tempos exigem outra determinação. Jaime Ramos, Secretário-geral do PSD Mentor do 'jackpot' parlamentar, lidera também a ala 'belicista' do PSD, que tanto proveito tem gerado. É tempo do PSD olhar para fora.
O Natal possível
Está confirmado o recuo na autonomia. Já não mandamos nas nossas finanças