Hoje, em muitas igrejas da Região, celebra-se a última Missa do Parto, uma tradição madeirense que faz reunir, pela madrugada, centenas de pessoas pelas diversas igrejas do Arquipélago. É uma celebração onde o sagrado mistura-se com o profano e que ocupa, durante 9 dias, um lugar especial na vida de muitos madeirenses. Numa época que se quer de paz, de amor, de harmonia e de entendimento nada melhor do que deixar o futebol de lado pois, apesar de na sua génese estarem sentimentos e atitudes de fair play no sentido de uma educação para a vida, para a consciência colectiva, para a ética e para os valores, todos sabemos que, na verdade, tal não acontece. Apesar de serem interessantes e desafiantes as picardias e rivalidades (esperemos que hoje, quando reler as palavras que escrevi, me sinta feliz, desportivamente falando … quem me conhece sabe porquê!) a verdade é que há excessos e quem não saiba levar a competição de forma saudável. Interessa vencer a todo o custo. As virtudes guerreiras, a força e beleza físicas, a honra, a glória de vencer e de ser vencido, a resistência, a agilidade e a coragem que eram valorizadas na Antiguidade não têm mais lugar, hoje. Gosto de ver ganhar a equipa que defende as minhas cores. Mas apenas essa. Não sou pessoa de querer que todas as equipas madeirenses vençam, apelando à solidariedade insular, da mesma forma que não vibro com todas as equipas portuguesas que actuam em palco europeu. Deveria fazê-lo? Julgo que não pois, a mim, apenas um clube constitui o leitmotiv para uma boa e bem argumentada paixão e discussão clubista! Na minha última participação de 2011, nesta quadra cujas cores são iguais em todo o mundo, apraz-me desejar votos de grandes e muitas vitórias e de 'festas felizes, a paz e a salvação'.
Andreia Nascimento, Directora de Comunicação