Há um mês expliquei, porque no meu ponto de vista, a actividade turística terá em 2012 um enquadramento muito difícil. A actual situação macroeconómica na Europa e a subida de impostos em Portugal que reduz as receitas das empresas (aumento do IVA na Alimentação e Bebidas, no Golfe e nos Ginásios e SPAs para além do aumento do IRC) ou retira rendimento aos clientes do mercado interno (aumento do IRS e redução salarial) são os factores principais. Mas porque desistir não é uma opção, o que fazer? Algumas pistas… - FLEXIBILIZAR A ESTRUTURA DE CUSTOS; devido à sazonalidade da actividade turística, que se voltou a acentuar, é imperativo flexibilizar a conta de resultados das empresas. Se isso não for conseguido, muito provavelmente, as épocas baixas acabarão por arruinar a empresa. - GANHAR PRODUTIVIDADE; se não aumentarmos a rentabilidade do factor trabalho, ganhando polivalência e flexibilizando horários de trabalho, ou pactuarmos com a preguiça ou o chico-espertismo, mesmo sem aumentos salariais, o custo relativo das despesas com pessoal, que se dará pela redução da receita, aumentará para níveis incomportáveis e a insolvência estará à porta. - CORTAR TODO O TIPO DE DESPESISMO; reduzir toda a despesa que não origina receita ou não tenha a ver com a qualidade do serviço prestado, seja no curto seja no médio prazo, tem de ser cortada; analisar e renegociar as 20 maiores contas em cada sector ou área da empresa é uma metodologia que costuma dar resultado; Atenção com os cortes em formação de pessoal e vendas, geralmente dão mau resultado a médio prazo; - NÃO PACTUAR COM OS CALOTEIROS OU ATRASOS NOS PAGAMENTOS; quem recebeu o serviço tem de o pagar, sem "cash" as empresas agonizam, os custos financeiros multiplicam-se e os atrasos no pagamento ao estado geram multas e juros incomportáveis - é o sintoma do princípio do fim; - EXIGIR MELHORES CONDIÇÕES PARA O EXERCÍCIO DA ACTIVIDADE EMPRESARIAL; o estado não tem dinheiro, não se pode por isso solicitar decisões que impliquem gastar dinheiro do estado. Mas porque estamos a pagar muito mais impostos temos o direito de exigir decisões que favoreçam o exercício da actividade empresarial em condições semelhantes em termos de competitividade com os nossos concorrentes internacionais; Não se percebe que sistematicamente a adopção de directivas comunitárias em Portugal acarrete mais exigências e mais custos para as empresas que o que acontece em outros países europeus, designadamente aqui na vizinha Espanha. A Legislação em áreas como a Higiene Alimentar, Segurança, Certificação energética, Qualidade do Ar, Ruído etc. etc. deve ser simplificada de forma a que as empresas portuguesas tenham as mesmas condições que a sua concorrência. - EXIGIR CONCORRÊNCIA EM TODOS OS SECTORES; ainda há muitos sectores com verdadeiros monopólios ou oligopólios que fazem preços para toda a economia sem estarem expostos à concorrência internacional; o que se fala por aí de aumento de custos de energia para as empresas (cerca de 20%) é algo de chocante e inaceitável.

José Theotónio, Gestor