"Quem faz das tristezas forças/e das forças alegrias constrói à força de Amor/um Natal todos os dias." In "Operários do Natal Estamos no Natal. A época da solidariedade e dos afectos. Da partilha, da comunhão. De sorrisos e de abraços. Embalada pelo espírito da época, decidi que não vou falar do plano de resgate para a Madeira. Das dúvidas, angustiantes, que a todos assolam. Das interrogações que se colocam. De facto de, aos soluços e somente pela comunicação social, irmos tendo conhecimento da canga que nos vão colocando ao pescoço. Não vou falar do discurso, enfaticamente repetido, de que a Madeira e os madeirenses não seriam mais "castigados" que os demais portugueses. Não vou falar que parte desse castigo será traduzido num brutal aumento de impostos, directos e indirectos: IVA, IRC, IRS.; aumentos esses já aprovados na Assembleia Legislativa Regional. Não vou falar das taxas moderadoras nos cuidados de saúde. Sim, dessas taxas que jamais seriam aplicadas ao sistema regional de saúde e que afinal vão, dizem que por imposição da Troika, ser implementadas de forma generalizada. Não vou falar dos custos da educação. Ou da introdução de portagens na via rápida, ainda que não haja outro percurso para chegar ao Aeroporto Internacional da Madeira, só para dar um exemplo. Ou do agravamento do imposto de circulação. Não vou falar do aumento da electricidade, da água e dos bens de primeira necessidade. Não vou falar da privatização dos Horários do Funchal e consequente aumento das tarifas dos transportes públicos. Dos escandalosos preços praticados pela TAP, particularmente nesta altura do ano, em que ir a Nova York custa apenas mais 75€. Não vou falar do esforço financeiro que as famílias fazem, nesta altura, para trazerem os seus estudantes a casa para partilharem, conjuntamente, esta época de convívio fraterno. Não vou falar do fim do subsídio de insularidade ou da redução para metade do subsídio fixado para os residentes no Porto Santo. Dos cortes salariais impostos logo no início do ano que está prestes a terminar e que representou e representa um empobrecimento generalizado das população. Não vou falar dos cortes nos subsídios de Natal deste ano nem dos cortes anunciados nos subsídios de férias e da Natal do próximo ano. Ou do aumento, galopante do desemprego que na Madeira atinge já níveis desesperantes. Não vou falar dos dados do INE que nos colocam do topo da desistência e do abandono escolar, da iliteracia e das baixas qualificações. Não vou referir, que os dados avançados, com base no Censos 2011, põem a nu o falhanço das opções políticas que foram sendo seguidas, e da ineficácia das mesmas, na recuperação do atraso estrutural herdado. Não vou falar da, denominada, revisão da estrutura curricular que afunila a missão da escola na lógica endógena de eficácia e de rendimento, aferida, através dos exames. Numa época em que se precisa, urgentemente, de horizontes de futuro, não vou falar da proposta do secretário de estado da juventude que aconselhou os jovens a emigrarem, como se o país se pudesse dar ao luxo de perder uma geração na qual investiu ou, mesmo, da repetição da receita da emigração como solução apresentada pelo Primeiro ministro para o desemprego docente, esquecendo-se que é destes profissionais qualificados que o país precisa e vai precisar sempre, para recuperar a economia e o promover desenvolvimento de Portugal. Estamos no Natal… Por isso, só vou falar de esperança. Uma esperança espelhada na confiança que saberemos resistir e lutar pelo futuro que queremos. Sinceramente, os meus votos de um Bom Natal a todos.
Marília Azevedo