Nesta época festiva do Natal e do Fim de Ano recordo sempre as noites passadas em família para a celebrarmos. Nessas noites aproveitávamos para jogar às cartas, entretimento que nos era muito aprazível, mas que, por vezes, podia levar a alguns contratempos pois as regras variavam, quase sempre muito pouco, de casa para casa o que podia levar a diferentes formas de jogar. Para evitar conflitos antes de começar a jogar definíamos as regras que iriam ser utilizadas no jogo, regras essas que eram mantidas durante a noite. Claro que havia sempre alguém insatisfeito quando não podia utilizar as "suas regras", justificando muitas vezes a sua derrota com as regras definidas e que não eram as que habitualmente usava. Nunca nos passou pela cabeça que alguém, mesmo sendo o dono da casa, pudesse mudar as regras do jogo a seu bel-prazer e sempre que lhe conviesse. Caso isso acontecesse, tenho a certeza que ele ficaria a jogar sozinho … Já adulto nunca deixei de estranhar que o Estado possa estar a mudar constantemente as regras do jogo e quase sempre de um modo que prejudica um grande número de jogadores. Estou a pensar nas reformas, nos salários da função pública, nos impostos entre tantos outros exemplos. Nem imagino como teriam sido as nossas noites se alguém pudesse mudar as regras quando lhe apetecesse e nos tivesse amarrado às cadeiras obrigando-nos a continuar a jogar, por isso, custa-me a aceitar que o Estado me obrigue a continuar a jogar sem que haja um conjunto mínimo de regras que sejam um compromisso de um prazo pelo menos tão longo como o de um jogo. Estas regras podem ser condicionais, mas não podem deixar de ser explícitas. Termino, para não quebrar a regra, com os meus votos de um Santo Natal e de um Feliz 2012.

Pedro Telhado Pereira, Professor Catedrático da UMa