Graziela Camacho Foi num amanhecer de Novembro, com um despontar do sol que mais parecia uma bola de fogo, espreguiçando-se no horizonte. Caminhava na bonita avenida, junto à marginal, como habitualmente faço e, ao passar junto de um arbusto abraçado por lindas malvas, ouvi um barulhinho muito suave. Parei. Nada de anormal. Mas, o sussurrar continuava . Olhei então com um outro olhar e vi um pezinho de malvas arrancado pela raiz, olhando para o pequeno arbusto, tentando em tom de súplica, dizer: - Porque não me deixaram viver? E o arbusto que nada podia fazer, olhou-o com ternura, deixando cair uma folhinha do seu corpo ainda tão jovem, como se de um beijinho se tratasse. Que gesto maravilhoso! Que bela lição de vida, para nós que, absorvidos num corropio sem leme, passamos tanta e tanta vez pelo olhar sequioso dos que ao nosso lado caminham, esperando um gesto de escuta, de disponibilidade, ignorando-os! Baixei-me e voltei a colocar o pé de malvas no seu berço - a terra - de onde nunca devia ter saído. Ele olhou-me com olhar de planta, um olhar que encerrava um manancial de sabedoria, dando-me aquilo que um ser humano tanto precisa neste caminhar -Gratidão. Continuo caminhando e, ao passar pelo pé de malvas, agora tão viçoso, sinto-me feliz, não por vaidade, mas porque fiz alguém feliz e pensei pedir-te caro leitor que, aqui e agora, tomes o compromisso de ajudares os muitos pés de malvas que existem na estrada da vida, a reerguerem-se. Afinal, o arbusto fê-lo à sua maneira! Um Santo Natal e um Ano Novo de muita ajuda e gratidão!