Jorge Gomes O preço das tangerinas madeirenses estava hoje (dia 19) a 4,49 euros por quilo, no hipermercado Continente do Caniço. Expediente? Absurdo? Roubo? Mas compra quem quer, possa ou não possa. E pergunto: a que preço teriam sido vendidas as tangerinas pelos agricultores madeirenses ao Continente, para surgirem no mercado a preços tão imorais? Comprem artigos madeirenses... Com preços destes? O boneco Zé Povinho criado por Bordalo Pinheiro bem podia surgir nesses anúncios, não acham? E os preços dos produtos agrícolas do Mercado dos Lavradores só para turistas que ali são enganados com preços tão exorbitantes de alguns produtos? E que dizer dos pequenos comerciantes que passam a vida a chorar-se e a pedinchar através da Associação de Comerciantes, apoios para eles? Se alterassem os hábitos de décadas dos horários que ainda praticam, ou seja, não fecharem para almoço às treze, abrir uma ou duas horas depois, para fecharem impreterivelmente às sete da tarde, talvez não fosse necessário dizer mal das grandes superfícies, alegando que lhes roubam a clientela. Claro que roubam, mas com horários destes, vou aqui e já venho. Tudo isto prenuncia cada vez mais que os agricultores madeirenses estão condenados a deixar as frutas e legumes ou nas árvores ou no chão, e, à falta de porcos, apenas conseguirão estrume para as próximas culturas. Quanto aos comerciantes madeirenses, que ainda não se aperceberam (ou por falta de actualização ou por insensibilidade económica ou por falta de outra coisa qualquer que me escapa), que os turistas que saem dos barcos a qualquer hora, não gostam de bater com a cara nas portas dos estabelecimentos do pequeno comércio, quer seja à hora do almoço ou depois das malfadadas sete horas.Tem que haver reestruturação, nova filosofia comercial, não podem fechar os estabelecimentos à hora do almoço, não devem fechar aos Sábados de tarde e aos Domingos. A Madeira parece uma cidade fantasma nesses dias, dói ver os turistas (e não se gastam milhões em publicidade para os cativar a virem até cá?), perdidos nas ruelas madeirenses sem poderem comprar seja o que fôr. AH! excepção são as tascas, e o Casino!Para onde poderão ir que não seja para os centros comerciais? A Associação dos comerciantes da Madeira tem aqui um papel importante se também quiser não ter de fechar a loja, tal como os seus associados que mais dia menos dia por falta de vontade ou por falta de imaginação, terão de pôr papéis nos vidros e um cartaz que dói sempre, sempre a quem lhes passa à porta e lê: TRESPASSA-SE!!!