Sandro Ferreira Quero aqui dar conta de uma situação que vivi na primeira pessoa, e que espelha bem que a escravatura ainda não terminou. Na verdade, nesta fase de crise a agudizar-se, não irão faltar pessoas que, estando em situação mais privilegiada, tirarão proveito das dificuldades e misérias alheias. A situação resume-se ao seguinte: Respondi a um anúncio do jornal que supostamente recrutava distribuidores, pois na situação em que me encontro, respondo a tudo o que for oferta de trabalho. Apresentei-me no local, e o dono da firma de distribuição em questão, informou-me que iria descarregar contentores. Até ai tudo bem, trabalho é trabalho! O que me deparei ao longo do dia é que sim, pareceu-me ser digno de ser denunciado. Este casal que requisita pessoas, alegadamente do desemprego, pretende que descarreguem a um ritmo alucinante, imensas paletes de mercadorias, para depois de terem o serviço feito, recusarem todos os candidatos. É exigido que abdiquem de parte do período de almoço, para assim rentabilizar mais, o que é uma corrida contra o tempo. A pressão dos patrões (um casal) é Imensa, adjectivando-nos com mimos como, cachorro, filho da p... e outros. Mas tudo se cala, acata as ordens, e dão o seu melhor trabalhando arduamente, na esperança vã de ficar com o trabalho, seja ele qual for. Também faz parte das tarefas destas pessoas recrutadas, substituir as datas dos produtos, cuja validade já expirou, para voltarem depois a ser vendidos. O que tem de pior nisto tudo, é que apesar do trabalho e do tratamento que é dado, aquelas pessoas nunca ficam a trabalhar lá. Este senhor pretende mão-de-obra a custo zero, para depois os dois funcionários que lá estão, distribuírem os produtos pelas diversas superfícies comerciais. Não se iludam com o anúncio que vem no jornal, este senhor nunca contrata ninguém. Isto repete-se há anos, o sistema é sempre o mesmo. Além de denunciar aqui esta situação, já fiz saber que vou dar conhecimento ao Instituto de Emprego do Funchal. É injusto, indigno e imoral, tratar as pessoas daquela forma. São iludidas com a perspectiva de um trabalho, quando na verdade, a ideia é explorar quem realmente desespera por um meio de subsistência.