Se calhar é pelo Natal. Por esta época que nos traz mais melancólicos, por uma recordação profunda da infância que nos faz regressar ao sítio das coisas certas. Se calhar é apenas porque é assim mesmo, uma certeza vinda do coração, desse verdadeiro lugar da sabedoria.

Não sei, mas hoje, perante a folha em branco, a pensar no que poderia escrever, lembrei-me dos amigos. Aqueles que se contam pelos dedos e que nos levam pela mão quando julgamos ter desaprendido de andar.

Os que atravessam connosco a cidade e dividem as palavras que nos fazem. Os que ouvem, os que choram e sorriem no mesmo compasso, a acertar o ritmo de saber respirar fora e dentro de água.

E mergulhamos confiantes, com um susto na profundidade de nos sabermos a salvo, mesmo quando às escuras.

Não importa em que coordenadas estamos, mas estamos lá, sempre. Lado a lado como se essa fosse a única realidade possível.

Os amigos são esse espaço onde nos demoramos e onde somos mais verdadeiros. São feitos dessa essência de crescermos juntos, de sorrirmos juntos e de chorarmos sem esconder a cara e o coração. Despidos, nascidos agora da verdade de sermos quase uma unidade apenas.

Se calhar é pelo Natal, mas de certeza que é pela vida fora. Em contínuo.

Aos amigos!