No infindável processo de negociação para nos emprestarem dinheiro para dívidas, a Madeira somou a semana passada mais uns episódios que em nada abonam a sua condição de pedinte. Curiosamente, um papel assumido solitariamente pelo secretário das Finanças porque, pelos vistos, à excepção do presidente, os outros governantes parecem não ter nada a ver com a dívida que amontoaram. Nesse particular, não deve haver madeirense que não tenha ficado atónito com as declarações do vice-presidente do governo, no início da semana. Ele que é o responsável directo pelas virtudes, mas também pelos imensuráveis devaneios, das sociedades de desenvolvimento, e, por essa via, um dos principais causadores da dívida que já começámos a pagar, e que pagaremos a partir de Janeiro com impostos agravados. Se o vice-presidente não está a gostar, imagine-nos a nós, contribuintes! Seguindo este exemplo de coesão governativa, a meio da semana, perante mais uma ameaça da Associação Nacional de Farmácias, o melhor que o secretário dos Assuntos Sociais conseguiu balbuciar foi que isso era um problema do... secretário das Finanças. Se recuarmos um pouco, as 'sacudidelas da água do capote' amontoam-se ainda mais. Basta ver o comportamento da equipa governativa, uma vez mais à excepção do presidente, durante o período em que a Madeira era 'bombardeada' pela ocultação de dívida. O secretário das Finanças teria obviamente que estar no centro das operações, mas nada o obrigava a assumir erros crassos de terceiros, como acabou por fazer; a menos que se quisesse fazer crer que a dívida, a assumida e a oculta, tinha aparecido pelos seus actos de governação. A semana passada também trouxe a público mais alguns casos de falta de verbas no desporto, um sector escandalosamente mal gerido por uma série de incompetentes. O caso concreto do hóquei do Porto Santo, onde já se desbaratou 9 milhões de euros, com roubos e gestão danosa de bradar aos céus, é um mero exemplo da incompetência de gente sucessivamente premiada com cargos e mordomias públicos. O caso entronca no raciocínio inicial: quantas vezes o anterior secretário da Educação, ou responsáveis do Instituto do Desporto, informaram os clubes da necessidade do cumprimento de medidas governativas, anexando correspondência interna da Secretaria das Finanças, porque lhes faltou coragem, competência e sentido de responsabilidade para assumirem decisões que só a eles lhes competia? Só faltava acrescentar: "vão aqui estas directrizes impostas pelas Finanças, de que nós até discordamos..." Assim, não admira que de governo para governo, tenhamos pago a tanta massa cinzenta em secretarias, institutos e direcções regionais, e que hoje, a entrar em 2012, não se conheça nenhum plano estrutural para as questões. do desporto, quando os alertas para a situação actual já se fazem notar pelo menos há 10 anos. Não, a crise não tem nada a ver com isto. Voltando ao ponto de partida - negociação do plano de resgate - a semana contaria ainda com uma espécie de 'cereja no topo do bolo', quando o PSD-Madeira inviabilizou uma redução das verbas públicas destinadas aos partidos. Um escândalo. Um roubo. E o facto de tratar-se de um roubo continuado, de ano para ano, de mandato para mandato, não significa que nos acomodemos à ideia. É bom que os contribuintes que vão começar a descontar mais e mais, se apercebam para onde vai parte substancial dos seus sacrifícios. Em Lisboa, aonde fomos pedir dinheiro para gastos, eles já sabem como desbaratamos. E vão-nos cobrar pela medida grande, obviamente.
João Rodrigues - Velejador olímpico Seis participações olímpicas é um feito que só está ao alcance de predestinados. Aos 40 anos, o velejador madeirense João Rodrigues assegurou uma despedida em grande nos Jogos Olímpicos de Londres, no próximo ano. Nuno Teixeira - Eurodeputado Foi através de diligências feitas pelo deputado madeirense que a Comissão Europeia veio por ordem na leituras de números: afinal, a situação financeira de Portugal é pior que a da Madeira. Não nos resolve nada, mas conforta. Machado Andrade - Administrador do BANIF O BANIF acaba de entregar donativos significativos a quatro instituições de solidariedade social. Trata-se de praticar a consciência empresarial para questões importantes que extravasam a área dos negócios. João Cunha e Silva - Vice-presidente do Governo Afirmou não ter conhecimento de medidas tratadas pelo governo de que faz parte; disse também que não estava a gostar disso. Ora, o 'vice' reúne as condições para alterar o rumo dos acontecimentos: mexa-se, proponha, avance! Alberto João Jardim - Presidente do PSD-Madeira Lidera um partido que, mesmo vendo os madeirenses serem martirizados com impostos e outros castigos, continua a viver à grande com dinheiros públicos. O PSD-M recusa reduzir as verbas de um 'jackpot' que é um roubo.