Apesar de "debatido" (entre aspas porque não há debate com um regimento que só deixa falar a maioria) na Assembleia Regional da Madeira e de aprovado pela sua maioria (a tal que estabeleceu, "democraticamente", que o voto de um valia o de vinte cinco), as medidas que entrarão em vigor a partir de Janeiro, ainda escapam ao conhecimento da maioria dos madeirenses. As luzes de Natal, a expectativa de mais uma sessão fabulosa de fogo-de-artifício nos últimos minutos de 2011, as entrevistas "fantásticas" de AJJ e os comportamentos boçais de alguns deputados misturam-se, com eficácia, com o sentimento de espanto diante da dura realidade, com a vergonha que as dificuldades já provocam e com a ilusão de que "não pode ser assim tão mau", produzindo um estado de perigosa apatia entre os que sofrerão, ainda mais, com as medidas cobardes e irresponsáveis do chamado Programa de Ajustamento Financeiro (resta saber, exactamente, o que será e como ajustado). Este parece ser um "trunfo na manga", por enquanto, do Governo Regional que, entretanto, executa as medidas que conduzirão a Madeira, inevitavelmente, ao desastre: aumentos do IVA, IRS e IRC, privatizações em sectores fundamentais como os transportes e a electricidade, aumentos de bens e serviços, tudo a somar ao que já está a ser imposto pelo Governo da República cujo Primeiro-Ministro assume, sem escrúpulos, que aos madeirenses doerá mais do que aos restantes portugueses como se assim, cumprisse, nesta afirmação imoral, um "ajuste de contas" entre os barões do PSD. Montado que está o cenário nos bastidores, as consequências antevêem-se, infelizmente, com facilidade: falências, desemprego, pobreza e insegurança. São as prendas que o PSD colocou no sapatinho dos madeirenses. Boas Festas! (sinceramente e sem sombra de ironia)
Isabel Cardoso, Professora