Fruto da minha profissão docente e da ligação ao Desporto, tenho constatado que a muitos pais existem surgem dúvidas quanto à escolha da modalidade de iniciação desportiva dos seus filhos. Qual é o desporto que o meu filho deve praticar? A escolha recai frequentemente na natação que, por entre razões de natureza fisiológicas e físicas (aprender a nadar e a própria escola incluir esta modalidade na sua oferta educativa), é a eleita. Também a ginástica, para as meninas, e o futebol, para os meninos, são "aposta" dos encarregados de educação aquando do primeiro contacto com a prática desportiva. Outras poderiam ser enumeradas, contudo, mais do que sugerir qual a modalidade certa para os mais jovens, gostaria aqui de abordar uma questão muitas vezes desvalorizada mas que pretende ser um alerta para a educação desportiva dos seus filhos: a especialização precoce, ou seja passar de um quadro muito diversificado para as exigências de uma única atividade desportiva. Acredito genuinamente que uma educação desportiva saudável, completa e rica passa pela variedade de práticas experimentadas pelos jovens atletas. Seja em que modalidade for. Por exemplo, o facto de uma criança estar no futebol não quer dizer que a criança só pode realizar exercícios com o pé, nem tão pouco que apenas esteja ali para ser avançado. É importante passar também pela posição de guarda-redes... Sobretudo os mais jovens, que estão ainda numa fase de formação das suas competências físicas, psicológicas e sociais. É necessário respeitar cada uma dessas vertentes e recordar que os timings são diferentes para cada um dos praticantes. Não se dedicar apenas a uma atividade, não exagerar na frequência da prática de uma modalidade, proporcionar vivências desportivas diversificadas e divertidas, constituem o melhor caminho. Dar tempo ao tempo, antes de avançar para a especialização. "Uma maçã não deve colher-se a meio da maturação. O seu sabor nunca será o mesmo" (Nadori 1987)'

Bernardo Vasconcelos, Dirigente