Causou alguma perturbação, sobretudo nos meios de comunicação nacionais, a notícia de que a Região Autónoma da Madeira iria despender cerca de 3,5 mil milhões de euros nas Festas de Fim-do-Ano, logo, não regateando qualquer verba em relação ao investido no ano passado. Acresce que, a manchar a notícia, surgia uma nota informando que a atribuição ao vencedor do concurso subjacente havia sido feita por ajuste direto. O que surpreende o cidadão, madeirense ou continental, que ouve falar todos os dias de cortes nas despesas públicas que se refletem nos seus rendimentos pessoais, é a não consideração da necessidade de um novo enquadramento na despesa pública regional, que deveria ser respeitado por todos os governantes como exemplo de uma exigência imperiosa e de um novo paradigma de funcionamento das instituições que dirigem. Não foi isso a que se assistiu no caso vertente, pois, poder-se-ia gastar menos melhorando a eficiência de algumas aplicações, sem prejuízo da eficácia do objetivo, que é o de garantir uma ampla ocupação das unidades hoteleiras e o tirar proveito da presença na Região de um número considerável de turistas. «Estamos a falar do maior cartaz de fim-do-ano do país», diz-se, mas são os próprios empresários a afirmar que o Fim-do-Ano já não é o que era e que a previsão é até de um certo decréscimo em 2011, designadamente do mercado nacional. Aliás, vem-se assistindo a que o cartaz da Festa da Flor tem vindo a marcar com maior intensidade a ocupação no mês em que se realiza do que o próprio fim do ano, levando a que alguns vaticinem que mais vale focalizar a promoção no conjunto do mês de dezembro (com efeitos óbvios no comércio local) do que no curto período da semana que engloba o 31 de dezembro. Aliás, o maior desafio das autoridades turísticas não será garantir a ocupação a 100% em 3 ou 4 eventos anuais mas implementar uma estratégia promocional que contribua para que se verifique uma ocupação média anual a um preço que rentabilize os investimentos públicos e privados no sector e ainda que os seus efeitos se façam sentir no conjunto da economia madeirense (comércio, restauração, venda de produtos regionais, agências de incoming, rent-a-car, etc). Por isso, estranha-se que face á importância do mercado continental o Governo da Região não tenha dado um sinal de obediência á conjuntura e á coesão nacional refazendo o programa previsto e que além disso tenha coroado a sua atitude com um ajuste direto que nas circunstâncias presentes só pode levantar dúvidas a quem ouviu falar com particular insistência de um «buraco financeiro» escondido. Claro que nesta polémica há quem exagere na avaliação e, ou acha que não há direito a qualquer crítica, ou entenda que não deveria nem haver o fogo de artifício, mas não me coloco nessas posições extremas pois entendo que se pode sempre fazer diferente e apostar mais na animação das ruas e no ambiente caloroso que gera, entre outras soluções . Por isso, nesta matéria, poderíamos usar um ditado muito adaptado á nossa Região, que resumiria a questão, «nem tanto ao mar, nem tanto á serra».

Nuno Jardim Fernandes, Gestor