"Há lugares onde há liquidez eterna, pelo menos enquanto a 'troika' deixar, as entranhas se mantiverem tranquilas e os ossos forem tapados por peles" Dou de barato o facto de o presidente do Governo Regional ter dito há semanas que não haveria aumento de impostos na Madeira e dias depois o parlamento regional ter aprovado um agravamento de IRS e IRC para níveis do continente. A seguir é o IVA. Desvalorizo que Alberto João Jardim tenha negado a pés juntos que a austeridade seria na Região proporcional ao desgoverno, ao despesismo e à irresponsabilidade dos últimos anos da sua governação, ou seja, maior que a do resto do país. Mesmo que pouco tempo depois o primeiro-ministro tenha garantido o seu contrário: Que os madeirenses iam pagar à ‘língua de palmo’. ‘Aceito’ (com muitas aspas) esta verdade da mentira tão habitual na classe política, que até inventou a palavra inverdade para justificar o injustificável. Mas o que não tolero e penso que nenhum cidadão de bem pode aceitar sem um revolver de entranhas é o Governo Regional assegurar que “está no osso”. Foi com esta expressão – de uma infelicidade atroz - que o secretário regional do Plano e Finanças, Ventura Garcês, atestou na Assembleia Regional da Madeira que o Governo não podia cortar mais. No mesmo espaço onde dois dias antes, a maioria parlamentar de sempre - contra quase toda a oposição (menos a oportunista) - decidiu que os partidos com assento parlamentar vão passar ao lado da austeridade, porque não pode ser de outra maneira. Há margem para cortar salários e pensões, para ‘malhar’ nos funcionários públicos sem dó nem piedade, para agravar brutalmente o custo de vida dos madeirenses, para deitar a insularidade no lixo, para matar pequenas e médias empresas, para reduzir o apoio à solidariedade, mas os partidos são intocáveis. Tudo porque o Governo Regional prefere garantir que o partido que o suporta tem os cofres cheios - foi à conta disso que ganhou eleições anos a fio - do que governar a pensar nas dificuldades de quem o elegeu. Cada deputado eleito rende ao seu grupo parlamentar 105 mil euros. Um valor que o PSD não admite cortar, porque já leva, em relação ao ano passado, uma machadada na subvenção de cerca de um milhão, pelo facto de ter perdido deputados. E o PSD-M, ao contrário dos restantes madeirenses, mesmo quando perde, ganha. E por isso é que enquanto uns continuarão a comer a carne, aos outros restarão os ossos de sempre. Sugiro que os madeirenses que votaram de boa fé (e com medo) em Alberto João Jardim lhe batam à porta quando não tiverem dinheiro para comer ou para aviar receitas na farmácia, porque há lugares onde há liquidez eterna, pelo menos enquanto a ‘troika’ deixar, as entranhas se mantiverem tranquilas e os ossos forem tapados pelas peles.

"Há lugares onde há liquidez eterna, pelo menos enquanto a 'troika' deixar, as entranhas se mantiverem tranquilas e os ossos forem tapados por peles"

Dou de barato o facto de o presidente do Governo Regional ter dito há semanas que não haveria aumento de impostos na Madeira e dias depois o parlamento regional ter aprovado um agravamento de IRS e IRC para níveis do continente. A seguir é o IVA.

Desvalorizo que Alberto João Jardim tenha negado a pés juntos que a austeridade seria na Região proporcional ao desgoverno, ao despesismo e à irresponsabilidade dos últimos anos da sua governação, ou seja, maior que a do resto do país. Mesmo que pouco tempo depois o primeiro-ministro tenha garantido o seu contrário: Que os madeirenses iam pagar à ‘língua de palmo’.

‘Aceito’ (com muitas aspas) esta verdade da mentira tão habitual na classe política, que até inventou a palavra inverdade para justificar o injustificável.

Mas o que não tolero e penso que nenhum cidadão de bem pode aceitar sem um revolver de entranhas é o Governo Regional assegurar que “está no osso”. Foi com esta expressão – de uma infelicidade atroz - que o secretário regional do Plano e Finanças, Ventura Garcês, atestou na Assembleia Regional da Madeira que o Governo não podia cortar mais. No mesmo espaço onde dois dias antes, a maioria parlamentar de sempre - contra quase toda a oposição (menos a oportunista) - decidiu que os partidos com assento parlamentar vão passar ao lado da austeridade, porque não pode ser de outra maneira.

Há margem para cortar salários e pensões, para ‘malhar’ nos funcionários públicos sem dó nem piedade, para agravar brutalmente o custo de vida dos madeirenses, para deitar a insularidade no lixo, para matar pequenas e médias empresas, para reduzir o apoio à solidariedade, mas os partidos são intocáveis. Tudo porque o Governo Regional prefere garantir que o partido que o suporta tem os cofres cheios - foi à conta disso que ganhou eleições anos a fio - do que governar a pensar nas dificuldades de quem o elegeu.

Cada deputado eleito rende ao seu grupo parlamentar 105 mil euros. Um valor que o PSD não admite cortar, porque já leva, em relação ao ano passado, uma machadada na subvenção de cerca de um milhão, pelo facto de ter perdido deputados. E o PSD-M, ao contrário dos restantes madeirenses, mesmo quando perde, ganha.

E por isso é que enquanto uns continuarão a comer a carne, aos outros restarão os ossos de sempre. Sugiro que os madeirenses que votaram de boa fé (e com medo) em Alberto João Jardim lhe batam à porta quando não tiverem dinheiro para comer ou para aviar receitas na farmácia, porque há lugares onde há liquidez eterna, pelo menos enquanto a ‘troika’ deixar, as entranhas se mantiverem tranquilas e os ossos forem tapados pelas peles.