1 - O Presidente do Governo escolheu o jantar de aniversário do Nacional para anunciar um corte no apoio ao desporto de 15%. Acho que foi uma oportunidade perdida pelo Dr. Jardim, para moralizar, pelo menos nesta área, as despesas públicas da Região, numa altura em que a população se vê obrigada a apertar o cinto à custa de mais uma carga nos impostos. Retirar pouco mais de 5 milhões de euros aos 38 milhões gastos por ano com o desporto, é uma ninharia. O momento era ideal para cortar o problema quase pela raiz. Digo quase, porque entendo que não devem acabar os apoios ao desporto, que compreende, clubes e infra-estruturas, mas com critérios rigorosos. Um deles é a obrigatoriedade da utilização de atletas madeirenses. Depois, como já o disse e repito, o financiamento deveria ser feito por clube e por modalidade. Não é justo derramar dinheiro dos contribuintes por vários clubes que praticam as mesmas modalidades, o exemplo mais concreto é o futebol. Há também no andebol um caso caricato, o Madeira SAD tem como sócio o Marítimo e depois, o próprio Marítimo, também tem uma equipa a competir a nível nacional, ambas com apoios do IDRAM. É certamente um desperdício de dinheiro! Se os clubes querem competir em todas as modalidades, estão nos seus direitos, mas que o façam arranjando eles próprios meios de financiamento. Penso que desta forma e com alguma coragem, o Governo poderia ir muito mais longe no corte e atingir, quem sabe, mais de 50%, o que representaria uma poupança à rondar os 20 milhões de euros. Dinheiro que daria, por exemplo, para ir saldando a dívida às farmácias! 2 - Marítimo e Nacional vão fechar a primeira parte do campeonato em posições antagónicas face à época passada. Nos verde-rubros, Pedro Martins com menos craques, soube construir uma equipa fabril, onde todos trabalham num objectivo concreto de produzir pontos. Por mérito próprio, o Marítimo é a sensação desta Liga Portuguesa! O Nacional, que em termos de plantel é, no meu entende, mais forte do que o Marítimo, tem desperdiçado muitas oportunidades de se juntar aos lugares da frente. Até parece que as balizas adversárias têm uma espécie de protecção invisível que impede a bola de entrar. Acho que foi um erro a saída de Ivo Vieira já que continua numa "caixinha" de surpresas, as mais valias do novo técnico alvinegro. Espero que a segunda etapa do campeonato mantenha o Marítimo na frente e empurre o Nacional mais para o topo da tabela! É bom para a Madeira e faz cócegas e inveja, ao "enclave" chamado Lisboa!

Mário Gouveia - Jornalista