Caro Pai Natal: A última vez que lhe escrevi foi há mais de trinta anos, por isso não se deve lembrar de mim. Não lhe estou a mandar esta carta para pedir dinheiro, apesar de fazer falta. Além disso, se fosse esse o motivo certamente mandava logo um dos assessores responder que a sua empresa estava em processo de insolvência, ou se tinha deslocalizado para a Índia, ou algo assim… Mas descanse, a razão é outra: quero só pedir-lhe algumas prendas, mas nenhuma delas é para mim. Uma destas noites, ao deitar a minha filha, disse-lhe que íamos conversar um pouco menos do que é habitual, porque tinha o meu artigo para escrever e ainda não tinha nenhuma ideia. Ela deu-me prontamente uma sugestão: - Pai, podias escrever uma carta ao Pai Natal, como eu faço na escola, a pedir para dar prendas às pessoas, para elas serem mais felizes… E de facto não custa nada, entre escrever sobre a crise, os culpados da crise, a saída da crise, o buraco da Madeira, o resgate da Madeira, a austeridade na Madeira… mais vale escrever uma carta ao Pai Natal. Achei por bem fazer uma pequena lista de livros, que poderiam ser uma interessante lembrança no sapatinho de algumas pessoas. Muitos dos beneficiários são políticos, mas sabe-se como estão a sofrer com as medidas de contenção. Já agora, convém ir alterando os remetentes. Para começar, dê um saltinho a França e entregue ao nosso saudoso PM José Sócrates o livro "Economia para Totós", de Antonioni e Flynn. Diga que vai da parte do Professor Freitas do Amaral, que até foi ministro dele mas agora resolveu "enterrá-lo". Aposto que a prenda lhe vai ser muito útil. Para deixar em Lisboa e arredores, os livros são os seguintes: - Bolor, de Augusto Abelaira - Para Francisco Louçã e o seu B.E. Dos cada vez mais descontentes e dissidentes; - A Inconstância Dos Teus Caprichos, de Cristina Flora - para Pedro Passos Coelho, da parte de A.J.J. Ele é capaz de não aceitar a oferta, mas tenta-se na mesma… - Profundo Como o Mar, de Jacquelyn Mitchard - Para António José Seguro, cujo discurso político carece urgentemente de substância. Cortesia do "amigo" António Costa; - A Douta Ignorância, de Nicolau de Cusa - Para todos os que continuam a pensar que o Centro Internacional de Negócios da Madeira faz lavagem de dinheiro e não é útil para a Região e para o País, oferta dos madeirenses; - O Livro da Ignorância Geral, de Lloyd e Michinson - Para todos os que continuam a comparar o Fim de Ano da Madeira com as "Luzinhas & Cantigas" que por lá se fazem, unicamente para criticar os custos em tempo de austeridade, mas sem qualquer critério; Chegado à Região, faltam poucos para distribuir: - Ao Sabor do Vento, de Ramiro Marques - Para o Dr. A.J.J., num apelo dos seus correligionários do PSD, que não percebem nada da sua estratégia política recente; - Como Falar em Público, de Gregorio Maestro - Para Ventura Garcês. Dispensa remetente; - Num Breve Fechar de Olhos, de Abbie Taylor, para o senhor deputado do PAN, dos colegas que praticam um longo fechar de olhos durante os seus discursos, e já apostaram que qualquer dia é o próprio que adormece enquanto fala; - Vozes Silenciosas, de Torey Hayden - Para os Coelhos (pai e filha). Em dueto ainda fazem mais ruído. Oferta do Dr. Miguel Mendonça; - Carícias da Noite, de Laurell Hamilton - Para Gil Canha e António Fontes, lembrança de um alegado militante anónimo do PSD, supostamente cadastrado, e que o líder da JSD não conhece de lado nenhum… - O Livro Azul da Confiança, de Jeffrey Gitomer - Para o Grupo Parlamentar do CDS Madeira, oferta de todos os que estão a apreciar o seu trabalho sério e responsável. Finalmente, se tiver tempo de passar lá por casa, ofereça à minha mulher o livro Contigo Para Sempre, de Takuji Ichikawa, sem mais comentários. E este pode dizer que vai da minha parte. Obrigado e Boas Festas.

Raul Ribeiro