Luís Lemos Gomes Os dias e as noites sucedem-se com indesejada celeridade e outro Natal está a bater-nos à porta! Parece-nos mentira, ainda ontem era Primavera e nem a inclemência de sucessivos anos de governação irresponsável nos tirava a esperança de uns merecidos dias de férias de Verão, gozados com a família e os amigos, ou, de um Inverno tranquilo e aconchegado pelos muitos anos de trabalho e de alguns sacrifícios! O tempo passou depressa, tão depressa que ainda é Outono e já estamos a enfrentar o pior Inverno de muitas vidas, preocupados e angustiados com tantas e tão más notícias que todos os dias são atiradas contra todos nós, atingindo-nos e devastando sem piedade a esperança num suave entardecer para uns, ou de um mundo melhor para os nossos filhos… Este Inverno antecipado trouxe o rigor de uma obcecada frieza dos números, em que o passivo acumulado por anos de irresponsabilidade, abate ao activo, que somos nós, o direito de sermos tratados como pessoas, o direito de vermos respeitados os acordos e os contratos celebrados e constitucionalmente protegidos, o direito de nos defendermos de verdadeiros assaltos à mão armada com IVA, IRS, taxas moderadoras, impostos e mais impostos… Este Inverno antecipado, propõe-se acabar com a irresponsabilidade, mas, traz-nos uma desumanidade que também não queremos, nem merecemos! O Outono que todos esperávamos, tropeçou e perdeu-se num qualquer "buraco" financeiro cavado pela ambição de gente sem escrúpulos, com sede de poder e um desejo insaciável de acumular riqueza, para quem os mais elementares critérios de justiça, decência e de serviço aos outros, ter-se-ão perdido com a chuva que choveu há muitos anos… E veio "este" Inverno, ainda sem neve, mas, cheio de um frio intenso e profundo que nos faz "gelar" a alma e congela a vontade de viver e de ser feliz! Talvez seja o momento oportuno para regressarmos ao nosso Natal e à verdadeira Festa, onde se descobrem as raízes de quem sempre fomos. Que não se encontram no Natal do consumo, dos exageros ou de uma "tradição" que a todo o custo se procura reviver, sem sucesso, diga-se, porque se persiste na "traição" a todos os seus fundamentos…; não ao Natal que tão depressa chega, se consome em futilidades… e já passou; não à Festa que era e já não foi, porque não se encontrou nas prendas que não foi possível dar e receber. Regressemos ao verdadeiro e único sentido do Natal, festejemos com alegria este tempo de Festa, porque não pode existir maior alegria que a vinda do Salvador. Não voltemos a "arrumar" o Deus Menino num qualquer baú à espera de outro Natal, permitamos que continue a viver e a crescer bem no centro das nossas casas, da nossa família e do nosso coração. A todos um Feliz Natal!