Com a entrada no mês da "festa", designação dada pelo povo ao mês de Dezembro, já se iniciaram, em muitas casas madeirenses, os preparativos para o Natal. Como é hábito, a época natalícia inclui o próprio dia de festa, as oitavas e mesmo o fim do ano. Podemos considerar que na Madeira esta época é ainda muito mais alargada. Para uns começa com as missas do parto, com as iluminações no exterior das casas e nas ruas, para outros na festa de Nossa Srª da Conceição, outros com a preparação das iguarias, como o bolo, as broas de mel e os licores. Para outros ainda, começa mais cedo, ao chegar mais comer ao porco, deitando as abóboras e pimpinelas duras, a engordar o galo para oferecer ao padrinho ou da galinha para a canja da noite de Natal, ou ainda preparar as searas para a lapinha, entre muitos outros afazeres. Estas tarefas são normalmente destinadas aos mais velhos. Contudo, para os que normalmente colocam o sapatinho na lareira na expectativa de ver o que o Menino Jesus deita, se umas meias, um vestido, um brinquedo ou um vergasto no caso de se terem portado mal, estes dias que antecedem o Natal continuam a ser de ansiedade, no sentido de fazer tudo bem para ter o presente desejado. Mas a festa agora já é outra, parece que já é mais Natal. O Pai Natal já traz mais presentes em embrulhos muito coloridos e não traz vergasto. São outros tempos é verdade, mas os valores podem, e devem, manter-se. Penso que o Menino Jesus este ano deve trazer um presente a todos, miúdos e graúdos, todos merecem. Mas terá, também, de arranjar algumas vides para colocar em muitos sapatos, com nº superior ao 36. Presentes para todos, mas tendo em atenção o seu comportamento. Em termos económicos e turísticos, esta época da festa, que é do ponto de vista cultural, gastronómico, e das tradições muito rica, e que vai desde o início de Dezembro até meados/fins de Janeiro, pode e deve ser muito mais explorada em termos turísticos, associando-a às festas de fim de ano, que são apenas três ou quatro dias concentrados num único sitio. Fica aqui publicamente esta ideia, que já expressei várias vezes noutro contexto. Um Bom Natal a todos e que o próximo ano seja melhor que 2011.

Joel Freitas - Presidente da ACIN