Muito se elabora sobre a coragem dos que de cá saem para outras margens, que se imagina sempre serem melhores que estas. Partem para Viena ou Barcarena, para o Montijo ou Abu Dhabi e vemos nisto um transcender. Poucas falas se dedicam aos que, possuidores dum saber universal, dispostos a nos enriquecer culturalmente através da sua partilha, com provas dadas de décadas de trabalhos de amores não perdidos, têm a coragem de cá ficar (incluindo os que partiram para cá). Eles, e para lembrar Ernesto Leal, que nos têm dado o estrondoso 'sumo grosso de zaragata' do povo que somos, os que mais se espremem e espremidos são, eles que são a nossa fala e arte bem podiam ser premiados e menos esquecidos. Quem me azucrina com isto, de que na Madeira nada se faz de interessante, tem mole espinha e fraco conhecimento por opção. Perde-se o tempo, como agora o faço, e não se vê que atrás de muitas portas da cidade existem fábricas de ventos que não tombam as searas. Ando tonto a pensar na nova rota tap: Funchal - abunda aqui... Devo safar-me se snifar as pipas da esperança, bom nome para uma livraria. Estalo uma pipa e brindo! Vai a esta pérola: o teatro é também património imaterial da gente! Brindei; rumo ao Centro Cultural Anjos Teixeira. Uma porta apenas, independente, uma política cultural; há na Rua da Carreira, uma eira com boa beira. Brinde aos que sabem não partir! Estala foguete! Seja o fogo de artifício um fuzilamento de tudo o que nos mata. Toca a escorropichar o cálice. Ficar 'não o sabendo, toda a ciência transcendendo' (S. João da Cruz). Precisamos de ti Avelina. Brindemos.
Élvio Camacho - Actor