Em 1969, cumpria o serviço militar na Guiné, numa unidade quase exclusivamente Africana no que às praças respeitava. Coube, infelizmente, em sorte que lá fosse parar, como praça, um europeu de etnia cigana. Eram tempos em que a "multirracialidade" enchia o discurso político. Obedecendo às ideias vigentes, os camaradas da Acção Psicológica conceberam um cartaz, exibindo o slogan: JUNTOS VENCERMOS, em que duas mãos (uma negra outra europeia) se cumprimentavam. Estando os ciganos associados a negócios pouco claros, aquele, não foi excepção. Indiferente aos grandes objectivos nacionais e após se ter insinuado aos africanos, relacionou-se com as respectivas famílias e logo fez pela vida. Num domingo, estando eu de serviço, fui confrontado com uns dez militares acompanhados por familiares, bombeiros em Bissau. Reclamavam por aquele "europeu", em demonstração fraudulenta, lhes haver provado que o tecido que ali estava em minha frente era à prova de fogo. Vendeu muito o nosso homem. Aquele obscuro militar pôs em causa um alto desígnio do Estado, atirando Africanos contra Europeus! O Cdt. da unidade viu-se obrigado a indemnizar as vítimas, salvando a Pátria do opróbrio! Aprendi, aos vinte e quatro anos, não gostando do regime que a coesão do Estado, mesmo em pequenos actos, tem de ser respeitada. Daí opor-me, anos mais tarde, à "ficção" do "Combatente Madeirense" em contraponto ao Combatente Português. Quarenta e dois anos depois, em Liberdade, o insólito aconteceu. Durante três meses a insanidade instalou-se no quotidiano madeirense. Os órgãos de governo próprio deram má imagem de si, amesquinhando a Liberdade. Vejamos os factos. As dívidas do GR (politicamente dependente da ALR) atingiam valores excessivos. Os deputados, representantes dos eleitores, pediram explicações. O GR, não cumprindo seus deveres, nunca explicou. Escondeu do eleitorado o valor da dívida. Desrespeitou a ALR e quem a elegeu. Este comportamento recorda os sistemas totalitários. A bandeira nazi assenta-lhe bem. Num programa televisivo, tentou-se reduzir a dívida a uma simples alteração das regras de contabilidade. O JM fala das dívidas da Catalunha, dos Açores etc…da RAM, nada. Reconheceu-se, finalmente, a dívida. O valor, ainda assim, andou em "leilão". À noite, no calor comicieiro, assumiu-se que houvera intencionalidade na sua criação para preservar a Madeira e os madeirenses da má vontade do Governo cessante. Teria sido bom, em solidariedade política com o novo governo, exibir a realidade nua e crua. O Governo, recém-empossado, na peugada do anterior, assumiu como desígnio nacional negociar com a troika um determinado valor para a dívida e viu-se, num ápice, com um acréscimo de uns milhares de milhões. A mentira, alimentada na RAM, prevalecera e o desígnio nacional caiu por terra. Este governo teve menos sorte que o de 1969. Uma "engenharia financeira" ostentando uma longevidade invejável de trinta e três anos de vida e sistematicamente alimentada no confronto com a "capital do império" criou a ilusão nos seus mentores que o processo era infalível. Razões eleitorais levaram a que, a dívida, fosse ardilosamente escondida, hábil e colectivamente defendida durante meses. Um acto isolado de um bufarinheiro em 1969, transformou-se agora num comportamento colectivo destinado a enganar incautos. Indemnizar, pelo logro em que caíram os bombeiros de Bissau, mantendo incólume o desígnio nacional foi fácil. Estilhaçar um DESIGNIO NACIONAL e não haver um "cigano" a assumir o negócio é bem mais complicado. Os "bombeiros do séc. XXI", a Norte de Bissau, vão sentir "calor". Iniciou-se a romaria à Nª. Sr.ª do Resgate. As preces que se ouvem, vêem e lêem não apontam para o milagre de não haver aumento de impostos e redução de desemprego. Apesar de tudo, a Romaria vai endereçada à Sr.ª do Resgate, se calha dirigir-se ao Beirão (não é o do licor, é o outro) filho da D. Maria do Resgate, iam presos os actores da rábula e o(s) guionista(s).
Gaudêncio Figueira