Se 25-24 é igual a 25, a aritmética, ramo da matemática que lida com os números e com as operações possíveis entre eles, há séculos, que nos anda a enganar! Desde da Babilónia em 1800 a.C. ao Egipto, passando pela Mesopotâmia, demorando um pouco mais na Antiga Grécia onde Nicómaco separa a Geometria da Aritmética, admirando o esplendor da Renascença ou olhando com todo o respeito as civilizações pré-colombianas - maias e incas -, todos têm andado errados, nesta coisa dos números. É esta Aritmética nascida há séculos, que nos garante, que 25-24=1 e não igual a 25! Após este prefácio, vou então contar uma história verdadeira, que vagueia entre o surrealismo, a anedota ou mesmo o absurdo. O partido mais votado nas ultimas eleições regionais, apresentou ao mundo, o novo modelo (DDR) - Democracia Duplamente Representativa. Isto é, o bom povo vota nos seus representantes para a ALM e os eleitos pelo PSD - neste caso 25 - às terças e quartas, por sua vez, elegem (?) o seu representante. Duas vezes por semana, passaria a haver um único SD (Super Deputado) ou numa linguagem mais moderna, um DTG (Deputado Topo de Gama), a representar toda a bancada laranja. E quando procurava conhecer melhor os fundamentos deste novo pensamento democrático tão inovador, ouvi estupefacto e de viva voz numa rádio, a sábia reflexão que sustentava esta revolucionária proposta: "….. o PSD não quer ser surpreendido …. assim não correremos o risco de perder uma única votação!" Fiquei esclarecido! Mais do que um atropelo à aritmética, estava em causa uma agressão às regras básicas da Democracia. Por outras palavras: alguém dissera que 24 deputados do PSD, pelo menos duas vezes por semana, eram perfeitamente inúteis. Pelo menos nesses dois dias, alguém iria pensar por eles, falar por eles, decidir por eles! Por minutos imaginei-me Presidente da ALM. Certamente que indignado com tamanha provocação, elevaria a minha voz soberana, na defesa dos 24 representantes do povo, apelidados de inúteis, à terça e quarta. Corado de vergonha, nunca aceitaria o ridículo de poder ser duas vezes por semana, o Presidente de uma ALM com um só deputado, caso os outros 22 da oposição, abandonassem o hemiciclo. E faria um discurso. Discurso de Presidente, eloquente e com palavras difíceis. Abordaria certamente a origem da Democracia Ateniense e a decisiva intervenção de Sólon no começo do sec. VI a.C. Depois, citaria a reforma de Clistenes e lembraria a defesa que ele fez, do direito de todos poderem falar, mesmo às terças e quartas. Recordaria que já nessa reforma, os então fazedores de leis (nomos), no ano 402 a.C., não podiam desempenhar qualquer outro cargo ou função, ou ter qualquer negócio que acumulasse riqueza. Em nome de Péricles, afirmaria que os representantes livremente eleitos pelo povo, não são fachada atrás da qual se escondem pequenos ditadores, peculatos ilícitos ou atitudes persecutórias. Finalmente, encontraria numa passagem do Evangelho segundo São Mateus, a inspiração para a minha derradeira mensagem. Naquele tempo, Jesus falou à multidão e aos seus discípulos dizendo:" Na Cadeira de Moisés sentaram-se os escribas e os fariseus. Observai tudo quanto vos disserem, mas não imiteis as suas obras, porque eles dizem mas não fazem. Atam fardos pesados e põem-nos aos ombros dos homens, mas eles nem com um dedo os querem mover. Tudo o que fazem é para serem vistos pelos homens: gostam do primeiro lugar nos banquetes e dos primeiros assentos nas sinagogas, das saudações nas praças públicas e que os tratem por Mestres". E mais diria: não podemos deixar que escribas a soldo do vil metal e fariseus regressados à sinagoga do poder político, se sentem na "Cadeira de Moisés", seja aqui no Funchal ou em Lisboa! Lá longe, no centro da Europa, também uma estranha aritmética da Democracia nos deve preocupar. Uma "Cadeira de Moisés", vagueia entre Berlim, Bruxelas e Paris. E já a minha Avó Berta dizia ….. "se a morte falasse falava alemão"!
Manuel de Brito