Há sempre o dia em que a realidade se impõe! Vivemos tempos de verdade, de esclarecimento e de evidência face às consequências de muitas decisões imponderadas, muitas escolhas imediatistas e irresponsáveis e de um comportamento de alheamento completo à responsabilidade da gestão da coisa comum, tendo-se dado prioridade a resultados mediáticos, imediatos, sem consistência no tempo e a fazer esquecer as promessas de ontem como se o futuro fosse uma mentira permanente num mundo de ilusão. Os recursos mostraram ter limite e, hoje, o mundo vive numa crise que é tanto social como económica, mergulhado na incoerência e no desespero da solução que equilibre tanta diferença. Por cá, vivemos em dilemas que se impõem com a mesma necessidade de refletir e de assumir que existem "coisas" que não batem certo e que não basta o discurso nem as aparências. É mais profundo, é mais sério e mais determinante para a nossa e para as gerações futuras. Temos perfeita noção que a criação deixou-nos um legado que, por si só, apaixona o mundo, retém atenções e distingue-se por ser autêntico, único e incomparavelmente espontâneo. O destino Madeira é isso mesmo. A natureza assim o fez e é nossa obrigação assim o manter. Essa condição fez elegeu-o como destino de Excelência, uma classificação que requer cuidado, exigência e muita mas muita atenção colectiva. A Madeira vem sendo transformada num destino barato, cujo preço não corresponde à oferta, por esta ser de um patamar reconhecidamente superior e em que a Natureza se vende a saldos durante todo o ano. A Madeira está, presentemente, a constituir um exemplo de uma solução que não existe por natureza, qualquer coisa como uma excelência lowcost. O rendimento por quarto disponível (REVPAR) deve constituir séria preocupação a vários níveis. Decresceu acentuadamente nos últimos anos, atingindo em Agosto de 2010, valores acumulados, a preços correntes, de apenas 28 euros, o que significa uma quebra superior a 22% face a 2007 e 28% face a 2008. Em Agosto do corrente ano recuperou para 32 euros, representando, invariavelmente, perdas de 11% e de 18% face aos mesmos anos. Este cenário levanta duas questões de diversa ordem mas de natureza comum. Como pode, assim, sobreviver o sector que mais contribui para a economia regional? Que investimento directo estrangeiro se deixa atrair por tão pouco? De natureza comum, estas duas interrogações, pela profundidade e abrangência, requerem aquilo que as devia orientar: o pensamento estratégico!

Eduardo Jesus - Economista