De repente, como o calendário já fazia prever, respira-se paz e alegria entre os pequenos coros e amálgamas de gentios que durante muitas horas por anos dedicaram-se a queixar da vida e das barbáries políticas virados para o chão, não vá alguém ouvir muito alto e tomar de mau tom numa época tão abençoada pela solidariedade massiva e pela bondade saída da toca. Quais Merkels, quais Sarkozys, quais medidas de austeridade, qual défice! Cortes? Impostos? Buracos? Não vamos nós perturbar a nossa mente pacificada com essas coisas mundanas, podemos antes, armar-nos em defensores da boa razão e da boa moral, solidariedade e de União Nacional, gritando aos sete ventos do sensacionalismo e do baixismo político o quão temerosas as luzes de Natal são! Sim Senhores, enquanto a União Europeia e a Democracia tal como a conhecemos está caindo-nos mesmo á porta de casa, muitas vozes do politicamente correcto do nosso bem dito país, lembram-se de alguns milhões em investimento com retorno garantido no cartaz turístico e em decorações e de Natal. Mas esqueço-me que já é mais que normal em Portugal, este país de vozes sábias e atenções bem apuradas, elementos essenciais para o bom funcionamento político nacional e internacional, como é o caso de luzes de natal, são logo tidos em conta. Esqueçamos, as outras coisas fúteis, é tão maravilhoso a Política Praticada no Natal, é como se fosse uma catarse e um misto de musgo e azevinho, ou seja, algo abstracto e estupidamente incompreensível. Aproveitemos o momento sazonal.
Diogo Gonçalves - Colaborador AAUMa